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2011-12-18

Quando o fuck this shit não funciona mais

Eu comentei no começo desse ano o quanto todo o processo de socialização num ambiente novo me cansava. Eu sou o tipo de pessoa que funciona mais ou menos assim: na maior parte das vezes, me acostumo com uma situação e não sei lidar bem com mudanças nela. É o que chamamos de zona de conforto. Por outro lado, às vezes isso também me cansa e resolvo eu mesma fazer algumas revoluçõezinhas. E é o menos frequente. Nenhuma das duas coisas é realmente boa. Tenho essa teoria - baseada, obviamente, em mim mesma - de que quem é acostumado desde cedo a se impor muitos limites, quando exagera, exagera mesmo. Mas esse não é o ponto. O ponto é que, mais uma vez, estamos aqui às voltas com o velho caso da anti-socialidade, que até hoje não sei se tem hífen ou não e não vou pesquisar agora. 

O fato é que eu passei muito tempo me sentindo ridícula todos os dias, o tempo todo. Sendo assim, não é difícil acreditar se eu disser que uma das piores sensações do mundo pra mim é justamente essa que, ainda bem, eu já não tenho mais com tanta frequência. Mas muita coisa ficou e, sim, eu me cago de medo de errar até nas atividades mais simples. Quando você erra, as pessoas te notam, e em um momento ou outro você passa ridículo por isso. E, nessa tentativa automática de não passar ridículo, você acaba provocando isso mais ainda. É assim que a vida funciona, aparentemente. 

Eu acredito que é nisso que está baseado uma boa parte da minha aversão a novos contatos. E eu preciso escrever porque é assim que o meu pensamento se organiza; de outro modo a informação só vai ficar vagando na minha mente pra sempre sem encontrar destino nenhum.

Então vamos começar pelo começo: conhecer pessoas novas e interagir com elas parece ser uma coisa bastante natural, e eu imagino que deva ser mesmo, mas por mais que eu tente relaxar e simplesmente deixar acontecer, eu vou estar sempre pensando em um milhão de possibilidades ("e se eu falar x", "e se ele/a falar y", "acho que ele/a me odeia agora", ad infinitum). Mas acho que algumas das melhores experiências de "contato" que eu tive na vida foram as que eu fui pega completamente desprevenida, no estilo de pessoa aleatória sentando ao lado no banquinho e puxando conversa mesmo (curiosamente, no entanto, eu nunca mais falei com essas pessoas, nunca as vi de novo).

Quando eu digo que não gosto de interagir com pessoas que eu não conheço, muita gente pensa que é porque eu me sinto especial/acima dos outros (e ainda vamos chegar aí). E lá vou eu explicar que eu me sinto mal mesmo, que não sei o que fazer, o que falar, quando chegar, quando sair, pra onde olhar. Mas de tempos em tempos eu me forço a fazer isso, afinal já dizia algum filósofo aí (?) que o homem não é uma ilha, o homem é um ser social etc. Não é que eu passe o dia todo sentada num canto sem falar com absolutamente ninguém, mas eu simplesmente não engato conversa nenhuma com pessoas que eu não tenho muito contato, a não ser que elas venham fazer isso. 

Adotar o modo "foda-se essa merda, não quero socializar" funciona por um tempo, mas sempre tem os períodos de abertura. Nesses períodos eu viro o socially awkward penguin e provavelmente angario mais antipatias do que coleguinhas, mas né. A gente vai tentando.

Uma das coisas que eu gostaria de ser capaz de fazer, além de estudar astrofísica e tocar violão, é conseguir interagir sem muitos acidentes com as pessoas que eu acho interessantes - e, olha, até que são muitas. Tem gente que eu acho interessante, gente que eu acho legal, gente que eu até mesmo gosto bastante, mas que se sentar do meu lado e disser oi eu vou só responder e fazer algum equivalente de falar sobre o tempo. Entra aí o fato de que eu tenho medo, é claro. De ser simplesmente chata, de a pessoa me decepcionar loucamente, de acontecer algum desastre social, de falar besteira. E continuo na minha zona de conforto. Ninguém entra, ninguém sai.  

Não cheguei a conclusão nenhuma, mas enfim. 

E ando escrevendo muito sobre mim, já tá na hora de escrever algo decente.

Quero férias.

2011-12-10

Sobre estrelas e tudo o mais

Estava eu aqui pensando sobre as estrelas - e o universo em geral - mais uma vez.

Ontem assisti 2001: Uma odisséia no espaço. Bem, na verdade comecei a assistir ontem e terminei hoje, porque dormi solenemente na metade. Desculpa, Kubrick, mas é um filme contemplativo (!) demais pra eu conseguir absorver numa madrugada de sexta. 

Mas não posso negar que é bonito. E, tendo um momento Mônica e Godard aqui, eu imagino uma pessoa assistindo esse filme no cinema em 1968 e fico com invejinha. As posições da câmera são incríveis, os efeitos idem se você considerar a época, inclusive a quantidade massiva de LSD que o Kubrick parece ter usado pra fazer certas cenas. E imagino que, assim como os primeiros Star Wars, as naves fossem maquetes. E eu acho a coisa mais linda usar maquetes como efeito especial em sci-fi, mas acho que ninguém mais faz isso.

Mas voltando ao que eu ia falar.

Eu estava vendo as cenas das naves e os planetas no espaço e pensando em como seria poder ver isso, assim, de perto. Estar numa nave, ver um planeta se aproximando, ou até mesmo, em condições extremamente controladas, ficar flutuando no espaço. Já ouvi falar de astronautas que enlouqueceram justamente por causa disso, por ver a imensidão do espaço, mas não posso deixar de pensar que deve ser uma das coisas mais incríveis que uma pessoa poderia fazer. Um dia, talvez, daqui a algumas centenas de anos a humanidade já tenha se espalhado por aí e uma viagenzinha espacial seja apenas banal e não restrita a alguns poucos selecionados da NASA e outras instituições que não sei o nome. Enquanto isso não acontece, permanece o deslumbramento. Talvez fosse assim que se sentiam as primeiras pessoas que viajaram de avião, guardadas as devidas proporções.


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Gosto de olhar pro céu e saber que aqueles pontinhos brilhantes são imensos e estão absurdamente longe de nós. Que podem já estar mortos, e a luz ainda não terminou de chegar aqui. 


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Ontem me disseram que dia desses descobriram um buraco negro maior que o Sol e que tem estrelas orbitando ele. Imagino que seja uma espécie de função inversa do sistema solar.


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Uma das primeiras histórias sobre extraterrestres foi escrita em 1609, por Johannes Kepler. No caso, eram habitantes da Lua. 


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Há mais ou menos um mês achei que já era hora de começar a escrever ficção científica. Vamos ver no que vai dar.
  

2011-12-08

Mash up

Fim de ano e bate aquela vontadezinha escrota de começar a listar coisas. Não comecei ainda, mas parei pra pensar e cheguei a conclusão de que, por incrível que pareça, eu consegui sim muita coisa que queria na vida. Não sei o que pensar do ano que vem; ainda é cedo, e vai ser ano par. 

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Não tenho escrito, mas não me sinto mal por isso. Não é que não tenha vontade, mas sei que não tenho nada de relevante a falar, então prefiro simplesmente não escrever. Mas, na verdade, eu escrevo. O tempo todo, aqui dentro, eu vou escrevendo, só não coloco no papel. Acho que o momento é de cartas, então que assim seja.

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Tenho percebido que não sou uma boa amiga. Pra falar a verdade, não sou boa em muitas coisas. Eu exijo muito das pessoas e dou pouca coisa em troca. Eu quero que as pessoas estejam comigo, mas não sei lidar quando elas precisam de mim (ou quando eu acho que elas precisam). O que acontece é que eu fico naquelas, sem saber se é melhor falar ou não, se é melhor isso ou aquilo, e acabo parada no mesmo lugar. Me sinto uma inútil nessas horas, com plena consciência de que quem me olha vê uma pessoa que não tem nada na cabeça. Não é bem assim, mas né, quem sou eu pra discordar da imagem que eu passo se é mea culpa?

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Durmo e falto aulas como se não houvesse amanhã. Nunca me disseram, mas imagino que há quem veja isso e pense que eu sou uma irresponsável (e não vai estar errado) e que acho que não preciso de aula pra passar (e aqui vai estar errado). Precisar até preciso, mas minha capacidade de fazer as coisas às vezes chega a um limite. Não consigo ficar acordada, desculpa aí. Se bobear nem percebo que dormi. Sou enjoada, sou reclamona, e ainda por cima fico atacando as anotações alheias em época de prova (porque, né, meu caderno tá uma bagunça só, eu fico escrevendo dormindo e não tem matéria que sobreviva no meio dos borrões e frases aleatórias do meu inconsciente), mas se eventualmente eu reprovar em alguma coisa (o que, curiosamente, só aconteceu quando eu "estudava de verdade") não se preocupe que eu sei que a culpa é minha e de mais ninguém. Não me acho inteligente, só acho que sei me virar; e se não conseguir, bem, paciência.

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O curioso é que, apesar desse meu descaso acadêmico, nesse semestre eu percebi que, olha que engraçado, eu até gosto do curso. Não é que não gostasse antes, mas é que eu nunca tive verdadeiro tesão pela coisa. É só algo que eu gosto e pronto, uma etapa necessária antes de entrar em uma área específica. Sempre admirei essas pessoas que passam anos querendo e tentando e conseguindo determinado curso/profissão, porque eu nunca tive isso. Não acho que seja exatamente necessário, mas acho que seria um sentimento interessante. 

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As únicas coisas na minha vida que sempre me deram o mais verdadeiro e profundo tesão profissional/acadêmico foram - preparem-se para os risos - astronomia e matemática. Eu, que reprovei duas vezes em Física e durmo e desenho caterpies e butterfrees na aula de Cálculo. E, vai, engenharia elétrica também. Mas tô aqui e tô pertinho, a área é próxima e é isso aí.

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Odeio acordar cedo. Parece frescura, e é mesmo, mas é coisa de eu acordar pensando no que eu fiz pra merecer essa vida, de passar umas boas quatro horas xingando mentalmente todas as gerações de quem tiver na minha frente, esperando o tempo passar. Acho que até já disse isso aqui várias vezes, mas não custa repetir. As primeiras palavras que passam na minha cabeça todo dia ao abrir os olhos são invariavelmente as mesmas doçuras: puta que pariu porra caralho que cu de vida onde é que aperta pra terminar não quero ir me deixa que horas são ad infinitum.

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Vou começar a lista dos achievements. Qualquer dia posto.

2011-11-27

O problema de

só ter um banheiro em casa, é você querer chorar e ter que esperar sua irmã terminar o banho.

2011-11-20

But some of us don't know why

Cheiros me lembram coisas com uma intensidade absurda. Muitas e muitas vezes, dentro do ônibus ou simplesmente andando por aí, eu senti um cheiro qualquer e imediatamente me veio à memória alguma cena completa, em detalhes, de algo que aconteceu no passado. Às vezes é mais vago, e em vez de uma cena é só um período. Existe o cheiro do primeiro semestre do técnico (um perfume doce que uma amiga usava; o cheiro de cartas de Magic; o perfume que outro amigo usava; o cloro da piscina, também facilmente relacionável ao segundo semestre), existe o cheiro das manhãs de quando eu era criança e ia pro colégio a pé (aquele cheiro úmido de manhã, de asfalto molhado, dá até pra sentir os passarinhos cantando nesse cheiro), existe o cheiro específico dos livros (livros que cheiram a primeira edição de Harry Potter, livros que cheiram a livro de Estudos Sociais, livros que cheiram a livro de Geografia, livros que cheiram a revista), existem muitos e muitos cheiros e eu nunca conseguiria listar todos eles. Engraçado é que eu não gosto de lembrar de muita coisa, mas sentir um cheiro é instantâneo, não tem como evitar a lembrança, não é um ato totalmente consciente. Você só pode aceitar.  Outro dia, acho que ainda no mês passado, eu cheguei no terminal um pouquinho mais tarde que de costume e não consegui ir sentada no ônibus por pelo menos uma meia hora. Não achei tão ruim porque estava chovendo, então não tinha sol. É estranho em pleno outubro, mas dia sim dia não dava uma chuvinha de manhã. Quando eu tava no ônibus era quase uma hora da tarde e ainda chovia um pouco. Acho que era uma sexta-feira, e uma paz me invade nas sextas-feiras por  saber que o dia seguinte é sábado. Como eu estava de pé, não pude ir ouvindo música e não estava disposta a fazer malabarismo com os fones. Fiquei ouvindo os barulhos ao redor, as pessoas conversando, as buzinas. Em um pacto silencioso, resolveu-se que eu iria me sentar quando o homem que estava perto de mim se levantasse; não sei como se dão essas relações instantâneas em ônibus, aliás, dificilmente sei como se dá qualquer relação entre humanos, são todas complicadas e ao mesmo tempo absurdamente simples, então é difícil dizer; é a pessoa que te escolhe pra dar o lugar, é a pessoa que segura tuas coisas, é a pessoa que você encontra todo dia, é o trocador simpático (trocadores simpáticos fazem o meu dia, sério), é a pessoa que te avisa que alguém meteu a mão na sua bolsa na fila. Acontece que naquele dia estava chovendo, a água escorria pelo vidro e eu gosto dessa imagem, e o cheiro era uma mistura de asfalto molhado com ônibus abafado, porque obviamente as pessoas começam a fechar as janelas pra não entrar água, e o dia seguinte era sábado. Felicidade é um conceito tenso e instável, mas acho que posso dizer que estava feliz naquela hora.

2011-10-25

The eye inside

Todo episódio em Six Feet Under começa com uma morte. No episódio que tem exatamente esse mesmo título aí do post, tem essa moça que está saindo de algum lugar (não me lembro qual) e vai andando pela rua, de noite. Um grupo de homens de repente começa a segui-la e assoviar e dizer coisas (hey bitch, we just wanna have fun, you know what’s gonna happen), e ela, claro, se apavora. Todos nós sabemos o que significa um grupo de homens seguindo uma mulher altas horas da noite numa calçada deserta. Então ela corre. Eles correm também. Então ela atravessa a rua, tentando se afastar, e nesse momento um dos caras a chama pelo nome: eram os amigos dela, eles estavam só brincando. Ela se vira pra olhar, não pode acreditar que são eles, e então é atropelada pelo carro que estava vindo atrás.

Eu vi esse episódio há coisa de uma semana, e desde então volta e meia me pego pensando nele. No rosto dela – e, sim, eu sei que é ficção, mas foda-se. Em como, mesmo sendo ficção, essa situação é factível. Em como no resto do episódio os homens ficam pensando, tentando entender por que ela ficou tão assustada se era só uma brincadeira.

Isso me lembra aquela piada do Rafinha Bastos sobre mulher feia e estupro. O assunto é antigo, sim, mas o que tem por trás dele é mais ainda. Quando eu paro pra pensar que é isso que faz as pessoas rirem, eu tenho certeza de que tem uma coisa fundamentalmente errada aí. As pessoas riem de piadas de estupro porque acham engraçado. Mais tarde elas riem também das pessoas que reclamam dessas mesmas piadas porque acham que é frescura, exagero, butthurt.

Estupro não é engraçado. Eu poderia citar muitas coisas que não são engraçadas, e estupro sempre seria uma das primeiras. Não consigo entender por que as pessoas não conseguem entender um conceito tão simples. Cada vez mais eu tenho certeza de que o que mais falta no mundo é a boa vontade de parar pra ouvir. Mas eu quero dizer ouvir mesmo, sabe? Porque essas coisas acontecem porque todo mundo é acostumado a isso, e ninguém quer parar pra repensar uma coisa na qual está acostumado. E aí é isso que acontece.

Quando me perguntam por que eu não tô no “movimento” por causa da greve do IFCE, eu brinco dizendo que não nasci com o gene Che Guevara. Muitas vezes por pura preguiça, outras porque não tenho mais saúde pra isso, and I’m not even kidding. Mas até que eu queria  ter, sabia? Porque, sabe, que porra eu to fazendo agora? Eu tô sentada na frente do computador. Só isso. Tô sentada na frente do computador.

Às vezes isso volta a me incomodar. Essas coisas em que eu acredito, essas coisas básicas, digamos que os meus pilares, essas coisas eu não defendo como deveria. Eu tô sentada na frente do computador. Eu só interfiro muito pontualmente. E, de uns tempos pra cá, muitas vezes nem falar eu falo mais. É que chega uma hora que cansa, sabe. Eu sou humana, terrivelmente humana, não posso evitar de ser. E eu canso, e não aguento, e não tenho mais a mesma disposição pra defender meu ponto com quem eu sei que não vai ouvir, mesmo que eu esteja certa. Foi-se o tempo... Eu ouço, guardo e me sinto mal, fico pensando. Esses dias mais do que de costume. Eu respondo over and over and over again na minha cabeça, mas imagino as respostas também e acabo ficando pior.

De certa forma, eu tô respondendo agora. Não é o ideal, mas é o máximo que eu consigo fazer no momento. É só que chegam essas horas em que as coisas começam a ficar mais pesadas ainda, essas horas em que eu realizo que vivo num lugar onde estupro é engraçado, num lugar onde muita e muita gente simplesmente não faz mais questão de viver.

(Isso me lembra o suicídio. Isso me lembra aquela opinião super comum por aí de que os suicidas são covardes, querem chamar atenção, e o caralho babaca a quatro. Cara, eu não quero que ninguém se mate, veja bem, mas vai dar meia hora de bunda antes de dizer isso. Antes de falar como se soubesse pelo que as pessoas passam e tivesse o direito de decidir se isso é relevante ou não. Se ela tem motivo ou não para querer viver ou deixar de viver. Posso te garantir que isso não ajuda em nada, e já dizia minha avó que se não é pra ajudar, então pelo menos não atrapalha.)

Em Doctor Who tem esse planeta chamado Midnight, que é muito bonito e todo feito de diamante, mas as pessoas que visitam ele não podem sair de dentro da nave. A radiação do lado de fora é muito forte e elas morreriam. Me ocorre que a Terra não é muito diferente de Midnight; um lugar muito bonito – em vários sentidos -, mas extremamente hostil.


2011-10-24

Just saying

É, esse layout tá meio bugado. O espaço entre os posts e a ausência de acentos nos títulos (eu mudei "alô stalker" pra "hey stalker", heh) está me dando nos nervos, mas vou deixar assim por enquanto, pelo menos até ter mais tempinho e disposição pra mexer. Ah, e as imagens não estão mais centralizadas. Mas já tinha enjoado do outro, então...

2011-10-17

Prova oral de Inglês

Professor: You know, you're so shy that I thought you weren't able to speak English, but you are! This is so good!


2011-10-14

I'll just leave it here

sexta-feira. devolvi todos os livros que estava devendo na biblioteca, peguei o meu diploma (título conferido: técnico de nível médio), constatei que por algum motivo as minhas duas reprovações em física não estão no histórico. não que eu esteja reclamando. tinha um real e sessenta e cinco centavos no meu bolso, atravessei a rua e comprei um picolé (que palavra feia é picolé) que custava exatamente isso, só pelo prazer de achar que foi o destino. reneguei as letras maiúsculas, a pontuação acertada e os parágrafos; sintomas de outubro. meu pulso direito ainda arde e dói; sintomas de uma tendinite antecipada pelas dez horas diárias usando o mouse. ainda bem que sou canhota; só não posso é não poder escrever. é só fazer umas pausas de vez em quando, said the doctor. mas doctor who agora só no especial de natal, que vida é essa. hoje o cara que segurou minha mochila no ônibus ficou com pena por causa do peso. existe toda uma arte em identificar quem tem cara de que vai descer logo e ficar por perto; no fim das contas, pegar ônibus acaba sendo uma atividade de caça. não posso negar que até gosto dos ônibus, contanto que a) não sejam assaltados, b) dê pra respirar, c) não tenha um livro de cálculo enorme na minha mochila, d) ele não dê o prego em lugares obscuros. não consigo evitar de ficar observando e de certa forma catalogando essas pessoas que a gente vê todo dia, na mesma bat hora, no mesmo bat local. a moça ruiva de cabelo cacheado da fila do terminal, que se encosta na janela e desce três paradas antes de mim; o rapaz de olhos claros que tem uma barba que o faz parecer um ator de filme do almodóvar, seja lá que o isso signifique ou por que fiz essa associação; o garoto de no máximo uns catorze anos que leva o violão e tem os mesmos olhos da mãe, uns olhos tão absurdamente comuns, mas que são tão bonitos só porque são doces; e até o cachorrinho da casa na esquina do ponto de ônibus, que sai pra fazer xixi no poste sempre que eu vou atravessar a rua. os livros que comprei chegaram, entre eles o do asimov, faz tempo que não leio ficção científica e vai ser bom. pra falar a verdade, até ando com vontade de escrever ficção científica qualquer dia desses na vida. vamos ver se não dá merda. enquanto isso, na sala de justiça, a fúria dos reis continua esperando pra ser lido, vou ver se começo hoje junto com a histórias de robôs. é um bom contraponto, e eu precisei do google pra saber se contraponto tem hífen ou não. agora vou te contar o problema de se escrever desse jeito, meio sem começo nem final: é exatamente ficar assim, meio sem começo nem final, porque você não sabe onde como quando por que termina. talvez sejamos viciados em finais, porque eles deixam as coisas mais seguras, mais definidas. não sei. vou considerar isso como um final. pronto.

2011-09-24

I am what I am

Tava lendo umas coisas - e imagino que algumas pessoas possam fazer a relação certa, ou talvez não - e lembrei de uma coisa. Lembrei dos momentos, há muitos e muitos anos, de quando eu achava subitamente estranhíssimo existir. Deixa eu explicar direito. Eram literalmente alguns momentos, alguns minutos em alguns dias, em que eu de repente não entendia o que estava fazendo ali. Eu olhava ao meu redor e me olhava no espelho e pensava o que é isso? por que eu tô aqui dentro? Não sei dizer se era ruim. Nunca entendi o que era, nem entendo agora. Só lembrei agora dessa sensação repentina que parecia durar muito tempo em que existir, simplesmente, parecia ser uma coisa estranhíssima. O "aqui dentro", naturalmente, não era o quarto ou a sala. Era o meu corpo, era o "encapsulamento" numa casca humana. Eu não entendia porque estava ali e, pra falar a verdade, eu não entendia porque tudo existia, e era até meio... não sei, bizarro? engraçado? ... olhar as coisas por esse ângulo, como se fosse realmente uma grande novidade terem inventado essa história de existir um mundo e corpos e até mesmo o próprio ato de se pensar. Acho que não me fiz entender. Acho que não precisa, não totalmente. Tá valendo mesmo assim.

2011-09-09

frescos morangos vivos vermelhos

Se eu não escrever agora, não escrevo mais, sei como é.

# Fato número um: são exatamente 00:52 e estou morrendo de sono. Como lidar. Indo dormir? Não, né. Não posso, não quero. Estou alimentando levemente a ideia de tentar ter um sonho lúcido tr00. Porque assim, sem querer, já tive. Tava pensando em toda a parada de se concentrar numa vibe muito inception, com direito a totem e tudo. Existe todo um guia pra isso, sério. Meu medinho: sair do corpo e não voltar mais, no kidding. Mas antes que eu consiga me concentrar apenas caio na cama e durmo, então né. Estou sob o efeito de sono profundo, favor ignorar esse parágrafo.

# Fato número dois: terminei de ler Morangos Mofados. 

# Fato número três: meu dia foi altamente produtivo, em todos os sentidos.

# Fato número quatro ou Mash-up dos fatos número dois e três, não necessariamente nessa ordem: engraçado o que um dia pode fazer com a gente. Ainda mais pra mim, que me agarro a essas possibilidades de... nem sei, tô com muito sono, já falei isso? Só queria registrar mesmo. Registrar que terminar de ler Morangos foi como ter passado muito tempo nadando em águas turbulentas de um coração igualmente turbulento e então finalmente colocar a cabeça pra fora e respirar. Eu tava precisando disso, sabe. Acho que dá pra perceber. E tenho escrito, muito até. E tenho achado bom, o que não é exatamente algo comum. E tenho lido coisas antigas e gostado, e tenho amado, e tenho vivido.

E tenho sono.

2011-09-06

Porque tem que começar em algum lugar

Veja você. 

Veja você que.


Começa assim, sempre. Veja você que, e alguma coisa que ele imaginava ser um comentário muito inteligente, mas eles sempre vêm com eu achava que essa cerveja ia ser pior. Ou veja você que eles realmente capricham nisso aqui. E no fim das contas eles são apenas mais algumas vozes entre aquelas tantas que estão falando de provas, de algoritmos, de aulas, de namorados, de cigarros, de bebidas, de ruas, de carros, de putas, da vida. De Kant. Eles falam de Kant. Isso definitivamente é o tipo de coisa que se destaca entre aquelas vozes todas se sobrepondo, ou talvez seja apenas porque ele quer que seja assim. Quer que seja assim enquanto carrega essas bandejas todas, quer apenas poder focar sua atenção num ponto só, numa conversa só. Dá pra aprender a fazer isso depois de tanto tempo andando entre as pessoas. Ele não se incomoda em ser invisível, existe toda uma arte em ser invisível, imagina como as coisas seriam tristes e ridículas se a todo momento o parassem no meio do caminho, bandeja na mão, pra perguntar como está indo a sua vida. Não dá.

Mas veja você que as pessoas estão ali, como sempre estiveram desde que ele se entende por garçom, e de repente ele se põe a perguntar por que diabos não tinha reparado nelas antes. Ele sabe, é claro. É só que é estranho, bom, talvez estranho não seja a palavra, mas é definitivamente curioso como as coisas acontecem. Como algumas pessoas simplesmente surgem assim, como se só existissem a partir do momento em que você se dá conta delas. Existe uma teoria pra isso, um nome, e você imagina que, veja só a ironia da vida, quem deve saber dessas coisas são justamente essas pessoas aí, tomando cerveja, reclamando do som ou da ausência dele, falando sobre a vida; deles e dos outros.

O nome desse ele que tanto se repete é Sérgio, sua ocupação, como se sabe, é a de garçom, o que lhe aflige as ideias agora, como se sabe, são os fregueses. São sempre eles. O então agora nomeado Sérgio, com todas as duas devidas consoantes e vogais, aproveita uma pausa para respirar do lado de fora do bar. O mês é junho, seu preferido, mas já é noite, quase madrugada, e ele prefere as tardinhas. Do lado de fora – se é que se pode chamar assim, com tanta importância, já que ele estava a apenas alguns passos da porta – o ar era claramente mais respirável, mas ele não podia negar que até que gostava daquele cheiro constante de cigarro e bebida e perfume e pessoas demais num lugar pequeno. Soava meio poético, uma poesia meio crua, é verdade, mas ainda assim. Era denso, e ele gostava de coisas densas.

Falando em densidade, lá do começo da rua, se não lhe enganavam os olhos, vinha Lenita. Vinha sozinha, com alguma coisa no braço, certamente um livro, talvez uma pasta a mais, a bolsa enorme a tiracolo, aquele rebolado característico, meio natural, meio sem querer. Sérgio fez as contas; faziam dois anos agora. Então lembrou que não estavam mais juntos havia coisa de um mês e se repreendeu por isso. Não é assim que se faz, ele pensou, não é bem como se desse pra esquecer. Antes que terminasse de pensar ela chegou, sorriu aquele sorriso que não chega aos olhos, o que era uma pena, porque ele realmente gostava de quando os olhos dela sorriam, e parou por alguns segundos na sua frente, talvez esperando que puxasse assunto. Não puxou, um momento constrangedor, ela entrou, ele acabou entrando depois. Não é assim que se faz, ele pensou de novo, enquanto ela se afastava para o fundo do bar, desajeitada, sem saber se quem tinha feito besteira havia sido ela ou ele.

Veja você que.

Começa mais alguém em alguma outra mesa e no mesmo momento aquele assovio de sempre corta o ar até seus ouvidos; preferia os assovios a “ei! EI!”, tinha até passado algum tempo catalogando mentalmente os diferentes tipos: os engraçadinhos, os despreocupados, os apressados, os que ainda precisavam de treino. Foi buscar os pedidos no balcão evitando olhar para o lado onde ela havia se sentado, evitando sequer pensar nisso, o que era impossível, claro. Não é assim que se faz, pensou uma terceira vez. Em tese, ele deveria estar feliz, mas não era exatamente esse o sentimento. O fim do namoro parecia mais um luto do que qualquer outra coisa, uma fase de adaptação, de desapego, ou seja, lá que nome se dê. Olhava pra Lenita e repensava se não estava mesmo fazendo uma escolha errada, se realmente não tinha mais jeito mesmo, se era tão horrível assim como ele pintava, se ela estaria falando dele agora, que ela tinha um nome tão bonito, um nome de personagem de conto e e e. Levou as bebidas, os tira-gostos, os pensamentos, tudo. Olhou o relógio, ainda não era nem meia-noite, suspirou. Ela estava com algumas amigas, e elas riam alto. Elas, não ela. É de propósito, ele pensou, estão rindo de mim; e ela ainda está naquela fase de olhar pro lado e pensar se deveria rir ou não, se deveria se sentir bem ou não, porque afinal é um luto, como ele já havia percebido.

Dez para a meia-noite e contando. 

2011-09-02

Cheia de pontos finais

Eu tava lendo Morangos Mofados e pensando no que é que me faz gostar do Caio Fernando Abreu. Quero dizer, não é como se não houvesse motivos óbvios e plausíveis, mas é que eu gosto de ficar refletindo nisso. Porque quando eu escrevo assim, pros outros entenderem, eu tenho que parar e pensar, separar frases, reler, me fazer entender. Quando é pura e simplesmente pela catarse, como aqui, eu só sinto. E aí fica essa coisa meio confusa, meio sem começo nem fim, até meio sem história definida. E é isso que eu gosto no Caio, porque quando eu leio - e eu posso até estar errada, mas me reservo à licença poética de achar que não - sinto que talvez fosse assim que ele se sentisse também. Se libertando, deixando ir. Eu só consigo ver isso como deixar o coração lá, no papel. E é bonito demais pra que eu não consiga amar.

2011-08-28

Por que...

...quando eu acho que as coisas vão ficar um pouquinho melhores, eu só me fodo?


Mas ok. Esperança tá aí pra isso.

2011-08-21

Abismo que cavastes com teus pés

Acho engraçado esse consenso de que a minha vida é muito fácil. De que eu não penso em nada, não tenho problema nenhum na cabeça. É verdade, sim, que não tenho ainda conta atrasada pra pagar, filhos pra cuidar, casa pra manter, nem nada do tipo. Portanto, minha vida é fácil. Fair enough. Pena que, mesmo sabendo que todos os meus problemas são frescuras e invencionices da minha cabeça que não tem mais o que pensar, eu ainda os sinta como se fossem reais. Pena que mesmo assim eu continue chorando no meio da noite, em pânico, com a certeza de que vou morrer no dia seguinte. Nunca morri nesses supostos dias seguintes, mas eventualmente vou, e vou continuar tendo que sair de casa nesses dias, como se estivesse tudo bem, como se eu não me sentisse por um fio. E o que vai restar vai ser um monte de palavras que não vão dizer nada sobre mim, e assim terei passado pela vida sem ninguém ter realmente me conhecido. Viver é muito difícil às vezes - bem, quase o tempo todo, com algumas exceções, na verdade. Cada vez mais penso que a vida que eu acho tão bonita e tão cheia de pequenos prazeres também deve ser coisa da minha cabeça.

Eu não gosto de escrever assim. Vejo a raiva que eu estava no começo do post e acho tudo muito triste e ridículo. Soa como se eu realmente estivesse no fundo do poço. A verdade é que ontem eu estava bem feliz, conversando, rindo, assistindo televisão na sala, cheia de planos. Escrevi, assisti filme, descobri todo um novo sentido na vida, me senti renovada, viva. Dormi depois das quatro da manhã, elétrica. 

E agora isso. Desconfio que estou alternando entre esses dois estados há meses. Mas é que eu finjo tão bem que às vezes nem eu percebo.

E pensar que quando me passaram anti-depressivos eu fiz piada, achei que quem tava meio maluca era a psiquiatra porque, claro, eu estava perfeitamente bem.

Sei.

2011-08-15

Não sei lidar

Olha, não sei. Sinceramente não sei. Fui atrás do post em que tinha colocado essa foto:




...porque ela é muito conveniente agora, e vi que ele é de quase um ano atrás. O tempo passa rápido demais.

Acho que não existe um motivo específico pra se sentir na merda, é sempre um conjunto deles. Eu sinto cada vez mais que se eu não fosse eu, eu não me suportaria (oi?). Admiro quem consegue porque, olha, não tá fácil. Eu sou um saco. Eu não consigo prestar atenção nas coisas, eu não gosto de telefone, eu acho que vou morrer, eu acho que vou escrever e não escrevo, eu páro no meio da conversa e fico olhando pro tempo porque lembrei de pensar em outra coisa, eu não tenho um estágio, eu não tenho aula porque a faculdade tá de greve, eu tenho que passar a maior parte do tempo em casa e isso me soa meio ingrato de se dizer, mas, cara, não dá. O relógio do quarto tá parado há uns três dias e eu ainda não me dei ao trabalho de levantar e trocar a pilha. Hoje de manhã repensei a real utilidade de ter um útero, se é pra ele ficar me matando de cólica desse jeito. E foi até interessante, toda uma nova e maravilhosa experiência, dormir por pura exaustão, como se fosse um desmaio, sem sonhos ou perspectiva de acordar. Me gusta não existir por alguns momentos. Talvez quando a greve terminar eu volte ao normal - ou o mais próximo disso que conseguir. 

2011-08-12

Who wants to live forever

Eu nunca tinha parado pra pensar no envelhecimento. Até ontem. Talvez porque eu nunca realmente parei pra pensar na possibilidade de viver o suficiente para ficar velha, e aqui eu vou acabar repetindo o que já escrevi uma vez no Will, porque afinal de contas já estamos juntos e misturados de tal forma que não dá mais pra separar. Sempre achei que não ia ter tempo o suficiente, mas e se tiver? Se eu pudesse escolher, morreria bem velha, cem anos feelings, mas perfeitamente lúcida (bom, acho que perfeitamente eu nunca fui, mas tá valendo), fazendo tudo o que quero fazer, tendo feito tudo o que tinha que fazer e tudo o mais. Morreria dormindo depois de ter completado a minha moira neste mundo. Não consigo conceber a ideia de ir sumindo aos poucos, me esquecendo das coisas, das pessoas, das palavras. Ontem parei e pensei se valeria a pena ter tempo se fosse pra terminar assim, cheguei a conclusão de que talvez não valha, e achei triste, muito triste.

2011-07-22

Fragmentos

Nessas últimas semanas eu tenho desenhado bem mais do que escrito e, quando paro pra pensar, até que faz sentido. Quando não estou de férias não tenho o tempo e a paciência necessárias. Descobri até meu horário perfeito: entre três e cinco horas da manhã. Sento tranquilamente com minhas coisas e vou desenhar; sem barulho nenhum, sem problema nenhum. Eu não sinto pelo desenho o mesmo que sinto pela escrita, mas aí também já seria pedir demais; eu apenas gosto, e também me sinto de certa forma recompensada quando termino e minhas mãos estão sujas de grafite. Gosto do desenho "sujo", borrado, uso o grafite mais macio que consigo encontrar (ou, melhor dizendo, que não consigo mais encontrar pra comprar) e as manchas ficam lá, nos meus dedos, no papel, nas linhas que eu não apago, nas sombras. 

*

Acho engraçado como as coisas acontecem. Eu estava no 6v agora, vendo uma discussão sobre personagens, do tipo que eu mesma teria participado ativamente há, sei lá, um ano ou talvez menos. Eu li um pouco, concordei com algumas coisas, discordei veementemente de outras, mas, como tem acontecido com cada vez mais frequência, não cheguei a clicar em Responder. E, bom, eu até queria responder. Eu saberia o que dizer. Eu ia gostar de dizer. Mas eu não digo mais. A palavra certa não é preguiça, mas é algo parecido com isso. É uma espécie de não se importar mais, de não precisar mais. Há muito tempo, quando eu via algumas pessoas comentando sobre isso, eu não imaginava como era, nem sequer entendia. E olha só... Acho que talvez a palavra certa seja distanciamento. Talvez eu já tenha dado tudo o que tinha que dar, e não tenho mais a energia necessária pra repetir toda a minha opinião de novo. Hoje eu apenas observo, e vejo algumas pessoas chegando, outras saindo, algumas novas discussões, outras nem tanto. É engraçado isso, porque parece que pela primeira vez eu consigo ver o fandom de um jeito mais amplo, consigo vê-lo como um todo. Porque isso não é de todo ruim, por mais que pareça. Porque de alguma forma não me soa como um afastamento, e agora eu entendo por quê.

2011-07-15

After all this time?

(quando estava escrevendo eu pensei em que blog este post deveria ficar. na verdade, eu soube desde o começo que, como prometido, postaria no .status quo., mas me pareceu injusto deixar o baby fora disso. enfim, está postado nos dois blogs por razões sentimentais e é isso aí.)

Eu comecei a escrever isso muitas vezes e nunca cheguei nem da metade de tudo o que gostaria de dizer. Parece que nunca era a hora certa, ainda não tinha chegado aquele momento específico em que a necessidade de escrever é maior do que a simples vontade.

Mas o fato é que, em algum momento de 2001, eu estava inocentemente passando pela sala enquanto o trailer de Harry Potter e a Pedra Filosofal estava passando na televisão. Parei por alguns segundos, tempo o suficiente para pensar “hum, legal” e continuei meu caminho até outro cômodo da casa.

Esse foi o meu primeiro contato com Harry Potter, se é que posso chamá-lo assim. Algum tempo depois, já em 2002, eu fui assistir a Câmara Secreta no cinema, sem saber muito da história além do fato de que havia um garoto bruxo envolvido em altas aventuras. Nessa época eu tinha dez anos e não muito interesse em assistir filmes que não fossem animações no cinema, mas fiquei maravilhada. Com o castelo, principalmente. Mais algum tempo depois eu peguei emprestado o quarto livro. Não me perguntem por que, eu realmente não lembro por que diabos comecei a ler pelo quarto. Depois li o terceiro, o segundo e então o primeiro. Elegi Harry Potter como meu livro favorito e então comecei a ganhar um livro a cada aniversário e Natal. Tinha começado.

O que eu tenho a dizer sobre Harry Potter não é muito diferente do que outras tantas pessoas já disseram, mas nem por isso é menos verdadeiro. Veja bem, eu sei que é apenas uma série de livros. Sei inclusive que não são os melhores que já li e já não são mais os meus favoritos. Mas eles estiveram lá, entende? É isso que importa.

Eu não acho mais necessário dizer que Harry Potter me trouxe amigos, ou que me ensinou tanta coisa, ou até mesmo explicar o que seriam essas coisas. Isso todo mundo já sabe, e eu também. E uma das primeiras coisas que eu aprendi foi justamente que os livros, as palavras, unem as pessoas.

Harry Potter me lembra livros lidos em qualquer hora, qualquer lugar, só pelo prazer de saber o que vai acontecer. Me lembra a espera pelo próximo livro, os dias em que os ganhei de presente, os sites e joguinhos toscos de cinco, sete anos atrás, as seções de rumores. As fics. E pensar que até o começo desse mês eu não me lembrava de como sentia falta das fics. Me lembra, é claro, o 6v e todas as pessoas que eu conheci nele, e as que chegaram agora e eu não vi porque estive tanto tempo ausente.

O último livro saiu em 2007, no ano em que eu entrei no CEFET. E último filme estreou exatamente no dia em que o semestre 2011.1 oficialmente acabou e eu, finalmente, terminei o curso. Mais uma forma de abrir e fechar fases. Se eu for contar desde aquele dia na sala, em 2001, são dez anos que se passaram. E dez anos, pra mim, significa simplesmente metade da minha vida.

Eu vou me lembrar de Harry Potter sempre com muito carinho e agradecer por ter tido oportunidade de acompanhar tudo isso. De ter tido oportunidade de crescer nisso, nessas palavras, nessa família, literalmente until the very end. Não é que seja um fim, assim como o último livro não foi, mas certamente é uma despedida. Então, até a próxima, Harry. Estaremos aqui.

Always

2011-07-10

Home is where your heart is

“Solta o Harry Potter e vai estudar pra segunda fase.”

Foi o que o meu irmão me disse em um determinado mês de julho. O ano era 2007, e em outubro eu saí da escola onde estava fazendo o primeiro ano e comecei o integrado em Informática – pra quem não sabe, é aquele curso em que você faz o médio e o técnico ao mesmo tempo.

Desde esse julho, passaram-se exatos quatro anos. Três anos e nove meses se eu contar a partir do dia em que entrei no CEFET – na época, aliás, ele ainda se chamava assim e, assim como meu irmão ainda chama de ETFCE, eu ainda chamo do nome que tinha quando entrei lá: CEFET.

(no primeiro dia de aula, na palestra, o diretor disse que quem entra no CEFET nunca mais sai. ele não estava mentindo, sabe.)

Acho que eu poderia falar sobre a diferença entre o CEFET e as escolas onde eu tinha estudado antes, sobre a diferença entre o médio normal e o integrado, sobre como eu estranhei e me fascinei por aquilo tudo nos primeiros meses. Mas não sei. Eu já falei isso tantas e tantas vezes nos últimos anos e não é que tenha exatamente cansado, mas só parece que não precisa mais.

Existe um jeito muito simples de dizer o que eu preciso, tão simples que talvez não dê pra expressar o que ele tem de complexo, mas o fato é que aquele lugar virou a minha casa, em muitos e muitos sentidos. Talvez eu até conseguisse explicar tudo o que passei lá dentro, mas pra isso seriam necessárias muitas páginas e não é bem essa a minha intenção.

Tenho uma pequena alergia a mudanças e uma preocupação meio tensa de deixar as “fases da vida” muito bem definidas em começo e fim, senão me perco. Sério, mas abstraiam essa parte. O fato é que é por isso que estou escrevendo agora, por exemplo. E foi por isso que escrevi naquela época, quando começou. Talvez eu esteja tentando deixar registrado pra mim mesma que, sim, aconteceu.

Então, sim, aconteceu. E eu queria escrever um monte de coisas sobre isso, sobre o que foi bom e sobre o que foi ruim, queria escrever algo bonito, algo que me doesse, mas que fosse bonito, porque é assim mesmo que a gente escreve. Mas, sinceramente, eu não sei.

Eu sei que minha vida começou, de fato, no CEFET. Sei que não vou conseguir chamar de IFCE ainda sem achar que tem alguma coisa muito errada com essa sigla. Sei que passei esses quase quatro anos andando por todo buraco daquele instituto e ainda assim consigo me surpreender com algum cantinho novo hoje em dia. Que conheci – conhecemos – quase todos os bancos de lá e começamos a entender tantas coisas em cada um deles. Que  mesmo tendo começado a engenharia e garantido mais uns cinco anos, no mínimo, lá dentro, eu vou sentir falta. Das pessoas, sim, mas tem alguma coisa a mais e eu nunca vou saber exatamente o que é. Deve ser o que fica pra trás quando algo se fecha e a gente vai pra frente.

2011-07-05

I'll be there as soon as I can

but i'm busy
mending broken
pieces of the life i had before

*


Quando eu olho pra você agora, Will, eu vejo um homem quebrado. Parece que você já levou tanta porrada da vida que finalmente está começando a se dobrar. Eu vejo um homem duro e amargo e, não me leve a mal, mas a amargura até que lhe cai bem. Acho até que talvez ela sempre estivesse aí, disfarçada de algum tipo de conformismo. É complicado, e eu não falo por mal, mas eu vejo você com os cabelos ficando grisalhos e essa relutância em sorrir de novo e só consigo pensar em como isso é, de certa forma, coerente. Era pra acontecer. Acho que você é uma daquelas pessoas que pensa que não nasceu pra viver mais de trinta anos, e de repente se surpreende quando vê que viveu, sim. Entenda, não é uma questão de envelhecer; nunca foi. É uma questão de tempo, pura e simplesmente. Você pensou que não tinha tempo, e quando viu que tinha não soube o que fazer com ele. É por isso que eu fico triste, Will, quando vejo você quebrando assim. Eu me lembro de você jovem, bonito e impaciente, e dos seus olhos, que nunca mudaram; talvez estejam apenas um pouco mais pesados, porque a gente vê coisas demais nessa vida. Quando você pensa que não tem ninguém olhando, ou simplesmente se distrai, eu vejo um Will menos cansado, um sorrisinho inconsciente, e algumas lembranças que eu também tenho. Só que tudo em você parece dizer que o nosso tempo já passou, e eu quase posso ver você se repetindo isso e aos poucos ir acreditando. É triste, mas é uma daquelas tristezas que a gente sabe que têm que acontecer, porque é aquela que chega quando as coisas começam a chegar ao fim. E existem poucas coisas mais tristes e bonitas nessa vida do que entender que tudo sempre tem um fim.

2011-05-15

I've been running my whole life

...now it's time for me to stop


Eu acho que sempre soube. Sempre soube que chegaria esse momento em que todos me odeiam. E, veja bem, não é que eu não mereça. Eu nasci tão fora do padrão, mas tão fora do padrão, que não existe mais nada que me conserte. Eu nunca vou conseguir deixar de ser quem eu sou, esse é o meu problema. Se eu conseguisse, tudo seria muito mais fácil. Seria perfeito. Mas não consigo. E não adianta pedir desculpas por isso, é o tipo de coisa que não tem conserto nem perdão. Corroborando a teoria de que a gente escreve sem nem saber que está prevendo a própria vida, há muito tempo eu escrevi que existe um certo prazer em errar por si só, sem a ajuda de ninguém. Hoje eu digo também que existe uma certa liberdade em ser odiado e/ou desprezado. Só agora, quando todos me olham torto e pensam horrores de mim, eu me sinto um pouco mais livre. É como se finalmente pudessem ver um pouquinho, só um pouquinho, do que eu realmente sou. E o que eu sou é isso, essa parte egoísta e ruim que só prejudica, só atrapalha. Mesmo com os exageros, eles estão pegando um pouco da essência. Eu já estou tão acostumada com o que me dizem, de eu ser a pior pessoa do mundo, de ser essencialmente ruim e tudo o mais, que acredito, realmente acredito. Sempre acho que tudo de bom que eu faça é automaticamente anulado pelo resto e não ajuda muito o fato de que não percebem quando eu faço esse algo bom. Eu me surpreendo, eu sempre me surpreendo, quando alguém me apóia. Já me parece tão automático e natural não ter ninguém que me diga está tudo bem, eu estou aqui com você que estranho quando acontece. Desconfio, olho meio de lado, acho interessante, e então percebo quando é sincero e morro de chorar. Eu sou fria e insensível pra muita coisa nessa vida, mas a isso eu não resisto. Não resisto a essa insistência em gostar de mim mesmo vendo todos os meus defeitos de fabricação, todas as minhas paranóias, toda a carga fodida de vida que eu trago junto. Veja bem, eu não reclamo. Só não sei lidar. Não sei lidar porque parece injusto, tão injusto, que eu não possa ser uma pessoa melhor pra quem gosta de mim. Parece tão injusto que quem supostamente deveria me apoiar – a família – sejam sempre os primeiros a me jogar as pedras. Eu sou, sim, todo aquele catálogo de imprecações e mais um pouco. Nunca discordei disso, não tenho nem pra onde fugir. Mas também sou um pouquinho mais que isso, também existe o catálogo de coisas boas, e eu tento me convencer disso, sempre e sempre, mas é difícil. Talvez um dia, daqui a muito e muito tempo, eu consiga. Mas eu sempre soube, de algum jeito, que seria assim e talvez até seja por isso que eu me saboto tanto. Eu quero ver as coisas dando errado. Eu quero provar que existe tudo isso aí de errado em mim antes que realmente exista algo bom. Atingir o bem esgotando todos os caminhos do mal.

*

Acho que eu soube também, desde o começo, e olha que nem faz muito tempo, que estava finalmente no caminho certo. O caminho certo, pra mim, foi o mais cheio de reviravoltas e mudanças e tudo o mais, e não me arrependi. Veja só, às vezes eu realmente penso em desistir, mas não por tua causa, é porque eu não sou tão forte assim. Às vezes eu simplesmente não consigo. E eu nunca vou conseguir agradecer o suficiente, sabe. 

Eu tinha escrito, há alguns dias, que não sabia escrever pra ti porque o que eu quero dizer às vezes parece que não precisa de palavras; e eu sempre precisei de palavras. Eu preciso tanto delas agora, por um milhão de motivos que tu sabe quais são e que seria desnecessário repetir, que seria um absurdo eu não escrever. Existem alguns momentos muito específicos que nos fazem amar as pessoas. Na maioria das vezes eles duram apenas alguns segundos. Acho que foi assim que eu me apaixonei, e acho que ainda é assim, entre outras coisas, que eu continuo me apaixonando todo dia.

2011-05-10

Preste atenção, o mundo é um moinho

Já me perguntaram algumas - muitas - vezes se eu sou uma pessoa impulsiva, e eu costumo responder que não, não sou. Hoje em dia, entretanto, acho que eu daria uma resposta diferente. Isso de ser ou não impulsivo é uma definição muito simplista e eu não gosto muito dessas definições muito simplistas, eu sempre arranjo mil novas maneiras de dizer as coisas mais simples, mas enfim. O fato é que never lost control está, aos poucos, deixando de ser a minha ~filosofia de vida~. Porque eu aprendi - em tempo recorde, veja só - que as melhores coisas acontecem quando a gente perde o controle. Eu tenho perdido o controle sobre muitas coisas na minha vida e isso tem sido uma das melhores coisas que eu já fiz. Esse ano tá sendo meio que um 2007 reloaded, em que tudo acontece ao mesmo tempo, em que tudo muda ao mesmo tempo. Tenho medo de mudanças, confesso. Sou desconfiada por natureza. E às vezes, assim, só de vez em quando, eu dou abertura para essas mudanças e elas viram a minha vida de cabeça pra baixo e voilà. Existe tanta, tanta coisa acontecendo agora que às vezes eu acho que vou explodir. E aí eu não explodo, porque never lost control tá aí pra isso. É engraçado, chega a ser irônico, como os melhores momentos da minha vida sempre são aqueles em que há algo muito tenso acontecendo simultaneamente. É o tipo de coisa que embaralha as lembranças, mas que, talvez um dia daqui a muito, muito tempo, me faça ter um olhar mais doce sobre algo que não é assim agora. Mas por enquanto deixa assim, que eu quero ver no que vai dar. Deixa assim, com tudo simplesmente acontecendo, e vamos ver no que vai dar.

2011-05-06

This too shall pass

Existe, de vez em quando, aquele estranho momento em que eu confundo a minha vida com a de algum personagem meu. Mais especificamente com a do Will. Aquele momento em que eu lembro de ter feito uma coisa, e depois de cinco segundos parar e pensar "OH WAIT, quem fez isso foi o Will, não eu". É estranho, muito estranho, mas de alguma forma é também reconfortante. Saber que ele está ali, tanto, tanto, que às vezes simplesmente se confunde comigo. E, pra falar a verdade, nem é tão estranho assim. Se são partes de mim, o mínimo que eu posso esperar é esse reconhecimento.

Estão todos parados agora. Esse ciclo de escrever - não escrever existe desde que o mundo é mundo (-n), então é incômodo, sim, mas eu sei que passa. E enquanto não passa, é bom saber que eles ainda estão aqui, na minha pele, em mim, em todo lugar, como nesses momentos.

2011-05-02

It's okay now


Eu tinha pensado em outras formas de dizer isso, mas acho que nenhuma é melhor que a mais simples: está tudo bem agora. Eu gostaria de dizer isso de alguma forma mais direta, mas acho melhor não. Não sei se a essa altura do campeonato você ainda passa por aqui (é bem coerente que não passe, afinal), mas enfim. A informação sempre encontra lá os seus meios de chegar.

Durante muitos e muitos meses eu só conseguia pensar puta que pariu deu tudo errado que merda quando olhava pra trás e hoje, especificamente hoje, exatamente hoje, eu já consigo pensar que aconteceu por um motivo e não focar apenas no que deu errado. Hoje, exatamente hoje, eu posso dizer que está tudo bem da minha parte. Não é que eu tenha esquecido (nem o que foi bom, nem o que foi ruim), é só que... bem, a única expressão que consigo imaginar pra isso é let it go. Eu não sei lidar com passado, fujo dele o tempo todo, então acredito que isso seja um avanço. Ainda tenho lá minhas paranóias de ser eventualmente odiada por mal entendidos, mas isso é normal, afinal meu segundo nome é paranoid parrot.

Eu poderia simplesmente pensar tudo isso e não dizer nada em lugar nenhum, mas eu gosto de deixar algumas coisas registradas. Acho importante.

2011-04-29

Let's do the time warp again

Pequenos fatos do dia 28/04

*

msn, madrugada.

camis: o que vocês estão fazendo?
eu: tô comendo chandelle e assistindo six feet under.
shade: que depressivo
camis: eu ia dizer "que delícia"

*

O tempo é uma coisa engraçada. Às vezes a gente simplesmente não vê que ele passa, e fica surpreso quando percebe. Eu sempre divaguei um pouco sobre como a gente acaba se tornando várias pessoas diferentes com o passar do tempo, mas não tinha vivido isso ainda. Hoje eu olho pra trás e vejo algumas versões diferentes de mim e sei que mais pra frente existirão outras. Vejo isso em outras pessoas também. E não acho ruim. Não é apenas inconstância ou contradição ou sei lá mais o quê que dê uma idéia ruim; é só movimento, é só que precisa ser assim, senão a gente não sai do lugar. E tem aquela coisa, aquela coisa que eu não sei bem o que é e que a gente chama de essência, que faz com que não importa quantas pessoas você seja, ainda assim é você. É exatamente isso que não pode ser quebrado, é exatamente a última coisa a cair.

*

Ontem (dia 28) eu encontrei um amigo que não via pessoalmente há uma quantidade vergonhosa de tempo. Foi a coisa mais repentina do mundo, eu nem sabia que ele estava na cidade, e de repente estamos no meio do CH da UFC (lugarzinho mágico, hein) conversando como se tivéssemos mil anos de assunto e mesmo assim como se tivéssemos nos visto pela última vez há apenas uma semana. Estamos tão diferentes, nós dois, e ainda assim é a mesma coisa.

2011-04-21

And no one ever said it would be so hard

Às vezes eu fico tão cansada de ser quem eu sou. É desgastante. Porque existem partes ótimas da minha vida que invariavelmente acabam ofuscadas pelas ruins. E eu nunca quis levar isso pra fora, nunca quis que uma contaminasse a outra. E é fácil, sabe, é relativamente fácil cultivar a arte de não se importar - ou de fingir que não se importa, dependendo da situação. Eu sou uma pessoa fria, sempre fui, e isso sempre me foi apontado como defeito - e é mesmo. Mas acontece que isso é uma coisa útil. É útil em todas as situações que as pessoas que acham que isso é ruim não sabem que existem. E eu não as culpo, o objetivo era esse mesmo; como eu disse, não levar nada pra fora. Veja bem, eu já poderia ter enlouquecido de vez há muitos anos, mas não. Ainda não.

Eu queria saber me entregar ao que acontece de bom, e isso é uma coisa que eu percebi que nunca aprendi. Minha entrega nunca total porque é calculada. Meu problema talvez - talvez? - seja não saber demonstrar quando me importo. Porque, sabe, as pessoas que fazem parte das coisas boas da minha vida não têm culpa de nada, e eu não gosto de perturbar ninguém com as coisas que, em tese, eu mesma posso resolver. 

E apesar de todo esse drama, não é que eu seja uma pessoa infeliz ou constantemente deprimida. Porque eu não me importo. Eu posso me virar. Mas eu não quero que mais que isso me impeça de me entregar e de viver um pouco mais. Se a questão fosse só a minha vida, tudo bem, tudo ia continuar como sempre foi. Mas ninguém vive sozinho, e eu não quero ser inacessível justamente para as pessoas que não deveriam ficar do lado de fora da minha "barreira".

Isso não é o tipo de coisa que se faz de uma vez, claro. Na verdade, acho que já começou há algum tempo. É só que às vezes acontecem aqueles momentos em que tudo acontece e você começa a pensar mais ainda (eu sempre penso demais, talvez por isso seja tão distraída). Nessas horas as pessoas costumam querer voltar a algum tempo em que não tinham problemas, ou quando eles eram menores e menos urgentes. O máximo que eu posso fazer nesse sentido é ansiar por algo que ainda não veio.

Eu não quero estragar mais nada. Desculpa aí pelas vezes em que estraguei.

2011-04-20

Nobody said it was easy

Apenas mais um pequeno comentário antes de postar qualquer coisa de fato:



Parece que a vida tá batendo na minha porta.

E eu tô com vontade de atender.

2011-04-10

A arte de ter problemas

Eu estava aqui assistindo o primeiro episódio da primeira temporada de Six Feet Under e morrendo de dor de cabeça, mas meu jeitinho todo especial de lidar com dor de cabeça é tentar esquecer que ela existe e continuar fazendo seja lá o que eu estiver fazendo. Okay. A dez minutos de acabar, eu pensei "vou escrever alguma coisa hoje, faz tempo que eu não escrevo", mas eu não sabia o que ia escrever. E aí eu tirei o óculos e tive o momento mais bizarro da semana.

Assim que eu tirei o óculos aconteceram as seguintes coisas, nessa ordem:

- Fiquei tonta. Ainda estou, pra falar a verdade.
- Ri por dois segundos
- Comecei a chorar como se tivesse perdido uma perna por dez segundos.

E aí botei o óculos de volta. 

Cara. Acho que isso prova (como se precisasse de mais provas) que eu não sou muito normal.

E minha cabeça ainda dói.

2011-04-02

Veja você onde é que o barco foi desaguar

...engenheiros do hawaii, stalking, aula de lógica, mochilas, bolero, dancinha feliz, beirut, pausa dramática, letra sugestiva, violão, servidores, javascript, servlet, mundo paralelo na praça, auto-sabotagem failure, sonhos bizarros, concorrência repentina, surpresa, será que dessa vez vai, um dia de cada vez, p implica q, los hermanos, circuitos, racionalizar, limites infinitos, pensar demais, restartcomeço...

2011-03-26

That was when I ruled the world

Acho que eu não tenho escrito muito ultimamente porque meus pensamentos andam meio desconexos. Eu sei que o quero dizer, começo a escrever, e aí no meio do caminho lembro de outra coisa, e assim vai. Obviamente não chego a lugar nenhum. Mas tudo bem. Acontece.

Hoje tive vontade de assistir O Fabuloso Destino de Amélie Poulain de novo. Pela, sei lá, milésima vez. Porque ele é o tipo de coisa que me deixa mais leve, e isso seria muito, erm, conveniente agora. Eu planejo tanto as coisas, que às vezes tenho vontade de soltar as rédeas e deixá-las simplesmente acontecerem. Quando é pra algo dar errado, dá errado tendo sido planejado ou não. Acontece. E o mesmo vale pro que dá certo, suponho. Estou ficando toda desconexa de novo.

Deixa pra lá.

2011-03-19

Can somebody see

...what this world has done to me?

Há algum tempo eu fiz um acordo comigo mesma: não te apaixonarás. Meio idiota, eu sei. Completamente idiota, eu sei. O fato é que eu continuei acreditando em todo tipo de amor, exceto o romântico, o dos ~relacionamentos amorosos~. É uma forma de defesa, claro. Não muito eficiente, mas eu tentei. 

Eu tinha me esquecido de como é divertido ficar interessada em alguém específico, e de que a palavra é exatamente essa: divertido. E então eu percebi que nunca me apaixonei de verdade por ninguém, e mesmo sendo jovem e all that jazz, isso me deixou meio... sei lá. Me fez parar pra pensar. Sempre foi tudo curiosidade, ver no que ia dar, atrações e nada mais. 

Mas essa semana teve uma intervenção (é assim que chama?) no IFCE e alguns casais começaram a dançar no meio do pátio, pra divulgar o grupo de dança de lá e etc. Eu nem ouvi direito as explicações. Aquilo me deixou meio hipnotizada. Fiz Dança por um ano e meio, e era uma das coisas que eu mais gostava de fazer lá.  E então eu fiquei olhando aqueles casais dançando, alguns dos caras com quem eu já tinha dançado também, e me deu a maior saudade do mundo. E era bonito e animado, mas chegou uma hora em que aquilo simplesmente doeu. Cinco segundos em que eu me senti como se tivesse perdido alguma coisa muito importante que não tenho mais como recuperar, cinco segundos em meus olhos ameaçaram encher de lágrimas por uma coisa que eu nem sabia que sentia tanta falta assim. E talvez eu nem sinta, e aquela tristeza toda tenha sido por ter feito parte daquilo e não fazer mais. Talvez nem tenha sido tristeza, mas um acesso súbito de nostalgia.

E o que diabos isso tem a ver com o que eu estava falando antes? Tem muito a ver. Porque são esses momentos que me fazem ver que, como o Will, meu coração não secou, só endureceu um pouco. 

Não é que eu tenha pressa em me apaixonar, ou que ache que isso seja uma obrigação da vida ou algo do tipo. Tem tempo, eu sei. E, de qualquer forma, eu fujo desse amor romântico como fugiria de uma sala de tortura. Não sei exatamente quando isso começou, mas não é de agora. Contraditório, né? Só achei meio curioso nunca ter realmente acontecido pra que eu possa pelo menos fugir com coerência (oiq). Pra falar a verdade, talvez até exista um pouco de coerência, sim; fujo do amor dos outros porque sei que de mim não vai sair nada. Pelo menos nunca saiu. Pelo menos nunca senti de fato. Talvez eu saiba quando acontecer, se acontecer. Talvez não.