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2010-04-11

Color my life (with the chaos of trouble)

 II
(não tem a ver com o I, exatamente)

Havia, é claro, duas pessoas. Havia, sim, nos olhos dele uma cor que não era a da íris, uma que não se define por já ter sido vista, mas sim por já ter sido sentida. Havia nele aquela cor que emana dos que vivem - dos que realmente e sinceramente vivem - e portanto não era uma cor que se sentisse todos os dias, ou em todas as pessoas. Havia, é verdade, no outro ele uma cor diferente, que também não era daquelas com as quais se costuma definir as coisas visíveis, mas sim uma cor mais calma. Havia nesse outro ele um tom mais pálido da cor do primeiro; não era a dos que vivem, tampouco a dos que morrem, mas sim a dos que conseguem. Viver talvez fosse restrito demais para os que conseguem. Conseguir talvez fosse pedir demais para os que vivem.

Havia, é claro, duas pessoas. Havia, sim, a mistura dos matizes quando os olhos se fechavam e as cores fluíam para as bocas. Havia o reconhecimento de que foram separadas um dia, as cores, e também o desejo de se unirem novamente. Havia, é verdade, a hipocrisia de cada um em dizer que aquela era a última vez. Havia o momento - pequeno, trêmulo, obscuro - em que a separação tornava a acontecer, e era como um parto, como aquele mesmo parto em que - em épocas diferentes, porém da mesma fonte - vieram as duas cores, as duas pessoas, a mistura única. Terminar de viver, afinal, foi o que ele conseguiu. Continuar conseguindo, afinal, foi tudo o que o outro viveu.

Um comentário:

Fer disse...

eu vou comentar pra dizer que eu li, mas eu nem sei oque falar do post, só que eu gostei e *emoticon do abraço*
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