I don't know where to put things, you know? I really do have love to give! I just don't know where to put it!
2010-07-28
2010-07-24
wibley wobley, timey wimey... stuff
(David Tennant, 39 anos, mais conhecido como o Tenth Doctor)
me joga na TARDIS e me chama vórtex espaço-temporal!!
fuck yeah.
2010-07-23
A thousand years time?
#20 — The one that broke your heart the hardest - part 2
Russell T Davies,
morra.
Com amor,
Moony.
Moony.
.x.
Ok, brinks. Eu não quero que ele morra e nem estou fazendo outra carta.
Pra você que não sabe quem é este sujeito, RTD é simplesmente o cara que criou/produziu/escreveu roteiros (tem um verbo pra isso?) para três das minhas séries preferidas de todo o universo: Queer as Folk (a versão britânica original, de onde foi feita a versão americana/canadense que é mais conhecida. Se você não sabe o que tá perdendo, dá uma olhada nesse marcador do blog), Doctor Who (a nova versão, claro, porque DW já existia quando o Russell ainda usava fraldas. Literalmente) e... Torchwood.
Eu comecei a assistir Torchwood como quem não quer nada, sabe? Também foi meio pra me curar do final da segunda temporada de Doctor Who, que eu morri chorando. Eu achava que ia encontrar aquele Jack leve e trambiqueiro de DW e... me fodi.
(a promo clássica de Torchwood - Children of Earth)
Nem me arrependo, que fique claro! Torchwood é um amor, é o complemento perfeito para Doctor Who, mas quebrou meu coração em milhões de pedacinhos. Pra você que nem assiste (ou seja, você que não é a Dark, nem a Diana, nem a Mialle, hahaha), não se preocupe que não vou dar spoiler (NÉ, MIALLE?)
Sei lá, eu só queria dizer isso mesmo. Que foi doloroso e que eu chorei até meus olhos se liquefazerem (como bem disse a Dark), mas que eu gostei. Vai entender, né?
Ianto, você mora no meu coração. Me arrependo de não ter ido com a tua cara na primeira temporada.
Owen e Tosh, chorei mais no fim da segunda temporada de TW do que no fim da quarta de DW (sim, isso diz muita coisa!)
Sei lá, eu só queria dizer isso mesmo. Que foi doloroso e que eu chorei até meus olhos se liquefazerem (como bem disse a Dark), mas que eu gostei. Vai entender, né?
(Jack/Ianto, meu novo ship preferido do mundo)
Ianto, você mora no meu coração. Me arrependo de não ter ido com a tua cara na primeira temporada.
Owen e Tosh, chorei mais no fim da segunda temporada de TW do que no fim da quarta de DW (sim, isso diz muita coisa!)
Gwen... tá, eu gosto de ti. Mas só um pouquinho, hein.
Rhys, tu é um fofo.
Jack... eu queria que tu tivesse podido morrer. (L)
Rhys, tu é um fofo.
Jack... eu queria que tu tivesse podido morrer. (L)
2010-07-20
I've got something in my throat
#20 — The one that broke your heart the hardest
Bom, tu não era especialmente bonita. E nem precisava ser, porque, né, a gente só tinha treze anos. Tu era mais baixa do que eu, e naquela época eu era relativamente alta. Veja só a ironia da vida: hoje em dia é meio difícil encontrar alguém mais baixo do que eu, então é bem provável que tu tenha ficado mais alta também e só eu tenha parado por ali. Sabe, se tiver alguém do nosso colégio me stalkeando - acho bem improvável, mas né - não vai ser difícil deduzir quem tu é. Mas enfim.
A gente começou a se falar por causa de Harry Potter também. Era um dos primeiros dias de aula da boa e velha quinta série - que hoje chamam de sexto ano, vai entender! -, e a professora (ou professor? nem lembro) estava pedindo pra gente falar sobre o que gostava de fazer. Tu disse que gostava de ler livros, e citou Harry Potter. Naquela época eu já tinha começado a ler, e nós estávamos esperando o quinto livro sair. Eu falei contigo no fim da aula, no pátio, não lembro se naquele dia ou depois. A gente começou a conversar, sobre Harry Potter e sobre tantos outros assuntos que interessam as meninas de onze anos.
Ah, cara, era tudo tão legal! Tu era minha melhor amiga, naquela época em que as amizades tinham todos esses contornos específicos de intensidade. A gente conversava muito, a gente gostava de ler e, caramba, nós éramos as meninas mais inteligentes da classe! De verdade.
Tu usava um gloss bem brilhante, sabe, daqueles que parecem que deixam a boca meio grudenta? Era legal. Tu tinha um celular da Xuxa que eu achava um máximo. No meu aniversário, quando eu ganhei um celular, a primeira coisa que eu fiz foi te ligar pra contar a novidade. O meu não era da Xuxa, mas era legal também - e graças da Deus, né, porque esse celular durou uns quatro anos. Imagina eu ainda ter um celular da Xuxa aos quinze anos? Erm, não.
Apesar de ter sido tão legal, eu não gosto muito de lembrar desses tempos, sabe? Porque a única parte boa era que tu era minha amiga, mas o resto todo desmoronou. Todo mundo gostava de ti e por isso tuas outras amigas cool também falavam comigo, mas era só porque tu gostava de mim. Elas me achavam chata e, bom, chata eu sou até hoje! Só que naquela época eu era chata porque estudava muito e era feia e mesmo assim tinha a audácia de me achar igual a elas. Ainda bem que eu não era, hein?
E então veio aquele ano. Esse definitivamente eu faço questão de apagar alguns meses - quase todos, na verdade - da minha memória. A gente tinha treze anos, e você não era especialmente bonita, mas era tão legal. Tu gostava de mim, sabe? Eu realmente gostava de ti, e acho que, não fossem uns e outros acasos, poderíamos ter sido ao menos colegas até hoje. Só que naquele ano tanta coisa mudou, e eu não sei exatamente porque foi, não sei quando começou, mas eu achava que gostava de ti de outro jeito. Eu digo que "achava" porque, bom, hoje em dia eu vejo que deve ter sido só alguma coisa de momento mesmo. Sabe como é, né? A gente se apaixona tão fácil, e com tanta intensidade às vezes, que até parece que é de verdade.
Sabe por que, também? Porque até aquele eu sempre tinha tido apenas uma amiga de cada vez. Sério. Os outros eram coadjuvantes, mas àquela amiga em especial - que era tu - eu me apegava demais. Porque era a única, sabe? Então tudo era multiplicado por mil.
Eu lembro que a gente deixou de se falar de um jeito tão abrupto que eu não entendi por um bom tempo. Tu simplesmente não queria mais falar comigo. E, por extensão, ninguém mais falaria, é claro. Vieram os boatos, diziam lá no teu grupinho que eu tava gostando de ti. Bom, eu tava mesmo, né? Mas a gente só tinha treze anos, cara. Eu estava descobrindo um mundo novo, e tu estava segurando fortemente as colunas do velho. Eu não te culpo por isso, na verdade. Eu sei que deve ter sido assustador pra ti que os outros pensassem que tu também estava entrando nessa. Mas eu esperava mais de ti, sabe? Muito mais. Eu esperava que tu me ouvisse. Que a gente conversasse sobre tudo, como sempre tinha sido até então. Até porque esse meu crush nem durou tanto tempo assim. Foi só o suficiente pra acabar tudo que existia antes.
A parte boa desse ano foi eu comecei a conversar com outras pessoas. Aquelas mesmas pessoas que, de dentro do seu grupinho, a gente via como chatas e invejosas. Aquela típica divisão das menininhas populares e das que não são, sabe? Eu comecei a me sentar do lado das que não eram. Eu comecei a conversar com a menina com quem eu tinha brigado desde o primeiro dia da alfabetização. Ficamos amigas, veja só. Em poucos dias, dá pra acreditar?
Eu não te culpo tanto por isso porque, de certa forma torta e irônica, foi por tua causa que tive os melhores amigos do mundo. Sim, no plural. Éramos, o que, uns sete? Meninos e meninas. Eles eram mesmo os melhores amigos do mundo, aquelas pessoas teoricamente fracassadas só porque não liam a Capricho, sabe?, e era uma amizade baseada na verdade. Era muito bom. Era melhor. Eu me senti finalmente sendo alguém de verdade, e não procurando uma brecha, uma migalha, por onde os outros poderiam gostar de mim por intermédio de outra pessoa. Isso é meio clichê, mas eu finalmente pude ser eu mesma.
No último dia de aula da oitava série, tu me deu uma carta. Não lembro se respondi, e não sei onde ela está agora. Acho que nela tu se desculpava e dizia que estava confusa quando aconteceu tudo aquilo. Tudo bem. Outro dia, há muito tempo, a gente "se encontrou" no orkut. Outro dia a gente se falou no msn.
Eu não sinto falta daqueles dias, não queria que voltassem, mas também nunca te odiei nem nada do tipo. Mas só que, mesmo eu tendo encontrado todas aqueles amigos tão legais, eu também aprendi outras coisas com isso. Aprendi a ser mais dura, porque eu confiava demais nas pessoas. Aprendi a fingir que não me importo quando me ofendem, porque eu não iria mais chorar na frente de ninguém daquele colégio nem de qualquer outro. Aprendi a rebater, queria que tu visse como eu afiei minha língua nesses anos todos! Viu só o quanto que tu me ensinou?
Eu não queria que as coisas fossem diferentes, apesar de tudo. Espero que tu esteja bem. No ano passado eu vi teu nome na lista dos aprovados da UFC, só não me lembro qual foi o curso. Agora a gente vai levando a vida, né, e espero que não nos encontremos mais. Realmente, tem coisas que é melhor esquecer.
2010-07-17
Sem imaginação para título cool
(hoje eu ia interromper as cartas para postar um continho que fiz, mas escrevi e decidi isso às 3h da manhã e olhei pra ele hoje e achei uma grande merda. back to letters!)
#27 — The friendliest person you knew for only one day
Alô, Gabi.
Eu te dei aula de matemática há alguns meses (ou terá sido no ano passado?). Tu tinha/tem uns doze ou treze anos, no máximo, apesar de parecer ter onze, e estava na sexta ou sétima série, eu acho (me confundo com essas coisas. sério).
É curioso que essa seja carta pra ti, não? Deus sabe como eu sou impaciente pra ensinar coisas, ainda mais pra pessoas mais novas do que eu. Não tenho paciência mesmo. Mas eu tentava ser o mais legal possível contigo e com a tua prima (que ainda vai ter uma carta só pra ela, veja só!) porque, né, consideração e tal. Mas sabe de uma coisa, Gabi? Eu fico muito feliz de a tua prima não ter mais me chamado pra ensinar Matemática e Inglês pra ela, mas eu bem que queria te ensinar mais uma vez.
O engraçado é que eu nunca tenho assunto com vocês. E nem gostaria de ter se isso significa ter que ouvir Justin Bieber, né. Mas por algum motivo eu te achei uma graça, Gabi! Tu é toda bonitinha, com os teus adesivos no caderno, com a tua letra grande e até mesmo com o corretivo que tu passou nas fórmulas erradas do teu trabalho. Não me pergunte por que, Gabi, mas eu te achei uma graça mesmo quando tu falou que teus pais não te deixam ler Lua Nova por causa da tua idade.
E, sabe, eu não te fiz um discurso sobre como Anne Rice seria mais saudável e sobre como Twilight te tomaria alguns neurônios. Na verdade, eu não acho que eu tenha te dito algo que tu vá considerar importante, a não ser, claro, como encontrar o maldito x da questão. Literalmente.
Eu acho que gostei de ti justamente porque tu parecia muito novinha. Eu tinha vontade de te pôr no colo e mostrar como fazia a lição, porque tu me defendia, Gabi! Tu, do alto dos teus doze anos, me parecia cem vezes mais madura do que a tua prima. Sim, ela mesma, que se levantou da mesa onde a gente tava estudando pra passar horas no telefone com a amiga, dizendo pra ela em alto e bom som que não se preocupasse com o trabalho porque "ah, minha vizinha nerd tá aqui em casa". Ah, cara, ao contrário da doce Gabi, eu já posso te mandar ir tomar no cu.
Ops, vamos voltar à programação normal.
Então, Gabi, eu não falo contigo já faz tempo, mas não vou esquecer que tu arrancou umas boas risadas de dentro da armadura que eu visto pra ir tentar colocar alguma coisa na cabeça da tua prima. Eu nunca me dava ao trabalho de conversar com ela, sabe? Me dava dor de estômago. Mesmo que ela continuasse me chamando de nerd com todo aquela carga de nojinho que ela dá à palavra, mesmo que ela continuasse me achando apenas aquela vizinha útil que só gosta de coisa antiga, mesmo que ela faça aquela cara de "de que planeta tu veio?" quando eu digo que estava lendo, eu prefiro nem abrir a boca, se puder. Faço meu trabalho e vou embora, beijos.
Gabi, obrigada por ter conversado decentemente comigo, por ter me ouvido com atenção, por não ter me deixado impaciente e, por favor, cara, não seja como a tua prima e 99,9% das amigas dela. Deixa as coisas boas entrarem na tua cabeça, continua fofinha e doce como tu é, não deixa ninguém te estragar.
Um beijo, e presta atenção nas tuas notas! Qualquer coisa, chama.
2010-07-16
Havia vírgulas nos teus bolsos
#9 - Someone you wish you could meet
Saramago,
eu pensei em te fazer a carta 11, mas será a 9 mesmo. Até porque tu nem estava morto até pouco tempo atrás. Eu tinha feito uma crítica de um livro teu, tinha dito que tu era possivelmente o único escritor vivo que tinha o cacife pra escrever o que escrevia e então... morreste.
Quem vê esta carta até pensa que eu li todos os teus livros, não? Pois eu não li todos eles (mas ainda vou, não se preocupe). E mesmo assim, quando me acostumei com a leitura ininterrupta dos teus parágrafos, vi que haveria de ser um dos meus escritores favoritos. Há algum tempo eu escrevi cartas no português tão bonito que tu falava e escrevia, mas acho que perdi a prática. De qualquer forma, seria sempre uma imitação. Hoje eu te ofereço esse meus verbos tortos mesmo, e é claro que tu não vai se importar.
Eu queria te agradecer, e não lamentar. Tu viveu tanto! Não até o limite - se é que existe um -, mas tu viveu mais do que muita gente sequer sonha em viver. Não falo apenas de tempo, mas de intensidade. Eu não te conheci e o que sei sobre a tua vida vem apenas de biografias. Convenhamos que não é uma fonte muito confiável. Mas eu posso imaginar que tu tinha umas mãos enrugadas, que parecem que nasceram enrugadas, de dedos longos e ossudos que entravam nos teus bolsos para tirar as vírgulas. As palavras tu ia colocando no papel com a outra mão.
Eu não te conheci, mas li as tuas palavras e de alguma forma pude te ver nelas. Vi a tua acidez, vi o quanto tu conhecia das pessoas, vi que tu podia falar de um jeito tão verdadeiro que até doía, vi que deve ter doído em ti o que disseram de ruim sobre as tuas obras algumas vezes, e muitas e muitas vezes - por tua causa e por causa de outros tantos autores - tive certeza de que, sim, é isso que eu quero fazer pra sempre. Escrever, não como tu, é claro, mas apenas escrever. Porque é assim que todos nós vamos nos encontrar no final, refletido em alguns quilos de papel - e digo papel porque é mais romântico, mas vá, temos os bytes também.
Então, é. Obrigada, Saramago.
2010-07-14
Our days are over
#7 - Your Ex-boyfriend/girlfriend/love/crush
Aquele ano em que a gente se conheceu foi definitivamente um dos melhores da minha vida. Acho que te contei muitas vezes como foi e qual foi o dia em que reparei em ti pela primeira vez. Alguns meses depois, a gente começou a se falar e num passe de mágica - ou nem tanto - nós éramos grandes amigos. Eu, você e ele.
Eu te escrevi muitas cartas, mas não lembro mais o que falava nelas. Lembro que uma vez você disse que eu escrevia bem e que tinha poucos erros. Eu gostei do elogio. Guardei todas as tuas cartas - assim como guardei as dela - e talvez deva te dizer que me livrei delas depois - assim como me livrei das dela. Não me leve a mal por isso. Não lembro mais qual foi o dia em que eu resolvi destruí-las, mas sei que reli cada uma. Sei que você falava sobre as coisas comuns dos nossos dias, de vestibular e amor, e sei que nenhuma daquelas coisas era pra mim naquele momento. O nosso momento já tinha passado, já tinha passado há meses quando conheci aquele cara e quando você conheceu aquela garota. E a gente ainda conseguiu se estender por um tempo, mas vamos lá, já tinha acabado.
Não estou te culpando, até porque você poderia fazer o mesmo comigo. Eu lembro das coisas boas também. Dos beijos na biblioteca, principalmente. Acho que você não usava batom com muita frequência ou, se usava, era algum muito clarinho. E naquela época eu também não usava. Não lembro do seu gosto, mas sei que era tudo muito suave.
Hoje em dia eu já não te reconheço mais. Você não é aquela garota por quem eu me apaixonei. Durou muito tempo, na verdade, quase um ano. Mas a minha vida estava mudando tanto, e a sua deveria ter mudado também em outra escala, mas quando eu penso em você eu não consigo ver essa mudança. Talvez seja por isso que eu não te reconheça mais: porque você parece que parou no tempo. Você não continuou, não se adaptou. Desculpa te dizer isso, mas é o que eu vejo. Talvez eu esteja errada, mas a gente nem conversa mais pra poder discutir isso.
Um dia, talvez há mais de um ano, eu te encontrei na parada e nós pegamos o mesmo ônibus. Eu realmente tinha que descer um pouco antes pra resolver umas coisas, mas não posso negar que fiquei feliz de descer logo. Do que mais a gente poderia falar? Da escola, dos amigos com quem você não falava mais, dos mal entendidos? Desculpa, mas eu não queria mais. Você ficou num pedaço da minha vida eu nunca mais vou ter de novo, e que eu quero deixar assim, intocada. Não vamos estragar as coisas, sim?
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