Páginas

2010-07-12

Dream a little dream of me

#5 - Your dreams

Nesses tempos em que eu tenho tido tantos pesadelos, é até curioso escrever para sonhos. E vocês são tão grandes que nem cabem em mim; tenho que sonhar aos bocadinhos. Às vezes vocês são uma biblioteca com um piso de madeira escura e lustrosa e cheiro de papel, e às vezes vocês são um monte de números e palavras que podem mudar a vida de alguém. Ultimamente vocês, no entanto, têm sido um só: ter tempo.

Às vezes eu tenho a impressão de que não existe o dia seguinte; esse é o pesadelo.

O sonho é que ainda existam muitos amanhãs, para que eu possa fazer tudo o que preciso. Para que eu possa viver, basicamente. 

(fragmento de uma anotação do mês passado: (...)já está todo mundo dormindo. não gosto de ficar sozinha assim, eu tenho medo do silêncio e do escuro. (...) às vezes demora tanto pra amanhecer, não é?)

Você é uma pessoa sem medo e com tempo o suficiente. O suficiente pra que é que eu não sei exatamente. Bom, eu sei em partes. Sei que você também é um punhado de livros escritos, uma família um pouco mais estruturada que a atual, a capacidade de fazer com que as pessoas se sintam melhor. Talvez você seja, pura e simplesmente, a possibilidade de ainda ser muitas coisas.

2010-07-11

Alô, seisvê

(fuuuuu, saí da ordem q)

#8 - Your favorite internet friend

Todo dia, quando eu ligo o computador e abro o Google Chrome, o 6v é uma das três primeiras abas que eu abro. Quando eu entro no msn, é a primeira janela que pula na minha frente. Já faz quase um ano que eu faço parte disso, e essa carta não é para uma pessoa em particular. É para o 6v.

Isso começou com Harry Potter, na verdade. Tem um tópico no próprio 6v para você dizer quais foram os livros que mudaram sua vida. Não é difícil imaginar que muita gente disse Harry Potter, e acho que praticamente todo mundo deu o mesmo motivo: porque ele me fez conhecer pessoas maravilhosas. Eu comecei a ler essa série há uns oito anos, e comecei a descobrir o fandom na internet quando ainda não tinha a cara e a coragem de me meter nos fóruns. O que talvez seja uma pena, porque aqueles tempos de spoilers e expectativa pelo próximo livro não voltam mais. Eu andava por esse fandom meio anônima, lendo, teorizando, lendo, absorvendo, escrevendo para mim mesma, lendo. 

E então chegou o 6v. Quando a série acabou, quando algumas pessoas ainda achavam que não fazia mais sentido, mas então chegou o 6v.

Vocês são um pedaço do meu mundo. São as pessoas que escreviam as fics que eu lia já há tempos, autores que eu realmente tinha medo de conhecer, e hoje em dia são as pessoas com quem eu falo no msn quase todo dia. São as pessoas que estão chegando agora também, são as que vieram no meio do caminho como eu. Com quem mais eu poderia falar de Harry Potter todo dia? Aliás, com quem mais eu poderia ter tantos quotes impagáveis e tantas divagações sobre tantos outros assuntos, sejam eles sérios ou não?

Eu provavelmente nunca vou conhecer nem metade de vocês pessoalmente, mas nem por isso eu deixaria de considerá-los como amigos. Entre as tantas coisas que já lemos uns dos outros, seria um absurdo dizer que não temos um mínimo de intimidade, não é? 

Obrigada por fazer meus dias mais felizes, seisvê, com todos os seus (eu ia colocar o nome de um monte de gente aqui, mas não tem nem perigo de eu lembrar de todos, então deixa pra lá. mas deu pra entender o recado, não é?).

Beijos,

Moony, Moons, Muni, Muns, ou o que preferirem.

2010-07-09

Can I sleep in your arms tonight, sister?

#4 - Your sibling (or closest relative)


All my brothers they're up on Jersey landfill
And I ain't never going back to that town
Can I sleep in your amrs tonight, sister?
Can I lay down with you here tonight?
'Cuz hearing your voice can remind me of better days
This is the voice that can carry me away
Let me sleep in your arms tonight

Eu disse uma vez que lembranças são como sonhos. Alguns dos meus têm cheiro de pipoca, e vejo neles um arco-íris nas primeiras horas da manhã. Às vezes cheiram a asfalto molhado, e tem olhos firmes, resolutos. Parece que fazem milhares de anos.

Vocês são muito mais velhos do que eu, e o engraçado é que sempre foi meio raro eu me lamentar por isso. Eu poderia querer ter tido irmãos com uma idade mais próxima da minha, mas talvez nunca tenha sido sociável o bastante nem pra isso. Eu ficava feliz com meus dois grandes patronos.

Cara, tu me fez ouvir Beatles desde tão cedo que nem me lembro de quando isso começou. Eu ficava triste quando tu deixava de ir ao cinema comigo para ir com a tua namorada - hoje esposa -, mas do que eu poderia reclamar? Até hoje ir ao cinema é sinônimo de irmão pra mim. E eu nunca mais comi pipoca no cinema. Que grande afronta aos nossos dias isso não seria? E as estrelas! Eu saberia o que sei sobre elas se tu não tivesse me ensinado? Talvez sim, mas prefiro acreditar que não. Se soubesse, eu mesmo assim não gostaria tanto delas quanto gosto.

E, hey, sister. Não podemos ficar no mesmo cômodo sem algumas fagulhas surgirem, não é? E mesmo assim foi pra ti que eu liguei no dia em que mais chorei na vida. Minha segunda mãe. Acho que atrapalhei um pouco a tua festa de quinze anos, chorando e esperneando, não foi? Mas eu era só um bebê, foi mal. Às vezes - muitas vezes - eu me irritei com essa tua grande "mania de justiça". Mas, vá. Quem tu seria se não fosse assim? Essa firmeza toda. Os perfumes. E só falei dos perfumes agora porque passou uma mulher aqui na rua usando o mesmo que tu usava há algum tempo.

Obrigada por terem me ensinado tanta coisa. E eu não sei mais o que dizer agora.

2010-07-08

Como nossos pais

#3 – Your parents 

Eu nunca escrevi uma carta para vocês antes, por uma série de motivos. Porque não sabia qual era o terreno seguro sobre o qual falar, porque iria parecer sentimental demais, porque iria parecer dura demais. Não sei. Os motivos vêm e vão. Na verdade, uma vez eu escrevi uma carta, inteirinha, mas foi na minha cabeça. O fluxo nunca desceu pros meus dedos e de lá para o papel. Já faz muito tempo.

Eu acho que lembranças antigas viram sonhos. Dependendo do conteúdo ou, mais especificamente, das pessoas envolvidas, a gente fica só com a parte boa e o que é ruim fica desbotado e frágil. A parte boa também é frágil, mas tem uma cor mais vibrante.

Não fui uma criança fácil, mas na verdade ninguém é. Eu era tímida demais, teimosa demais, mimada demais. Olha só, desde sempre eu estive nos extremos. Eu não os culpo pelas coisas que não consigo fazer. Geralmente. E não admito que outros culpem. Os pais são meus, se eu quiser reclamar, posso fazer isso sozinha.

Aliás, eu posso fazer muitas coisas sozinha, apesar de saber que isso não deve ser fácil para vocês. E não posso fazer outras tantas coisas sozinha, e aí não é fácil pra mim. Eu entendo como e por que querem me proteger. Entender não é sinônimo de gostar, mas eu entendo. É justo.

Eu falo demais. Não consigo parar. Estrago muito as coisas. E então eu falo, falo, falo até desejar que vocês me batam para que eu cale a boca. Você não o fazem, evidentemente, e eu fico mais culpada ainda.

Acho que já passei da idade de acreditar que a frase Você ainda vai entender é história da carochinha. Algumas coisas eu já entendi, outras ainda vai levar um tempo. Não lamento pelo que não pude fazer, nem pelo bom senso que eu ainda não tenho.

Olha só como isso está fragmentado. Não consigo organizar meus pensamentos. Não consigo seguir uma linha para falar com vocês, pra variar. Bom, talvez eu só precise agora dizer que não queria ter outros pais e que somos todos crianças, afinal, e ainda temos tanto pra aprender!

Eu amo vocês, e isso não é pouco. 

2010-07-07

Don't make a fuss and get crazy over you and me

#2 - Your crush

Eu poderia escrever para um namorado, para uma namorada, para um amigo colorido, para o estranho que eu vejo no ônibus todo dia, mas eu não queria fazer isso. Não queria limitar a uma pessoa só. Poderia falar de todos eles porque eu me apaixono todo dia, quase toda hora, pelos motivos mais aleatórios do universo. 

Queria que algumas pessoas entendessem isso. Queria que não se limitassem a ficar pensando em escalas de intensidade.

Você nunca se apaixonou por aquele estranho que você vê passar de vez quando? Ou pelo modo como alguma pessoa que você conhece fala ou ri. Você nunca se apaixonou pelo ato de, pura e simplesmente, se apaixonar? Eu tenho isso com mais freqüência do que talvez você imagine. Eu amo pessoas por um dia, por um mês, amo coisas que elas fazem, coisas que elas dizem, amo estar amando tudo isso. 

Me apaixono assim, subitamente, sem base ou explicação visível. Preciso disso, me alimento disso. Perdeu a graça? Vamos nos apaixonar de novo. É a mesma pessoa? Está sob um novo prisma. Não quero ficar pensando em distinções, ficar analisando o que é paixão, o que é amor, o que é nada, também não quero que fiquem analisando por mim, mas isso nem sempre eu posso evitar.

Sabe o que eu quero, minha cara pessoa por quem eu estou apaixonada hoje, neste momento? Quero que você não precise perceber isso, que não precise analisar nada disso. Quero que apenas fique aí, onde você está, fazendo o que você sempre fez. Sem precisar ficar pensando ou perguntando se é a única, ou se é a favorita. Vou te contar um segredo: você nunca é a única, e tudo isso dura tão pouco! Eu me distraio tão facilmente. Às vezes eu volto pra você, às vezes não. Mas eu me apaixono com uma intensidade tão grande, que espero que você possa sentir. Você e as outras pessoas.

Talvez esse seja o meu jeito de dar sem esperar receber. Amor, eu digo. Rápido e instantâneo, não precisa dar de volta. Só me deixe tê-lo pelo tempo que precisar.

2010-07-06

Nossa vida inteira e um punhado de planos

(eu vi essa listinha aqui no endless imaginary, que por sua vez viu no memorabilia database, e cá estou eu tentando colocá-la em prática também.)

#1 - Your best friend

(trecho)

Vamos falar dos assuntos que já conhecemos. Do primeiro ano. Dos carnavais. Vamos fechar os olhos por um minuto e ter quinze anos de novo. De volta àquela terra em que eu só tinha dois amigos, e eles me bastavam. Lá, onde a gente fazia planos. E promessas. E contava segredos e as mais espontâneas declarações de amor que eu jamais vou ter de novo. Onde nós éramos as únicas pessoas do mundo e os problemas pareciam pesar uma tonelada. A gente acreditava em tanta coisa, e hoje em dia eu sou tão incrédula. Aqueles devem ter sido os meses em que eu vivi mais intensamente. Nunca me senti assim de novo. E hoje estamos diferentes - bem diferentes! -, mas eu ainda sinto a mesma coisa quando a gente se vê. Aquela mesma vontade de não deixar o tempo passar, porque ele é rápido demais e a nossa vida inteira não cabe dentro dele. Porque toda vez eu quero viver uma vida inteira do teu lado. E talvez eu só tenha escrito tudo isso só pra dizer que tu é possivelmente a pessoa que eu mais amo. Desse tipo de amor que faz a gente querer viver, assim, sempre ao lado um do outro, e que não tem dúvidas nenhuma sobre a sua verdade. Nunca passei um minuto em dúvida quanto a isso.
Acho que acabei de passar mais uma vida inteira do teu lado agora. Não sei quantas vidas eu tive só por tua causa. Obrigada por elas. Muito, mesmo.

2010-07-05

Amigo, estou aqui (entre outras coisas)


Não lembro qual foi a última animação que eu vi no cinema. Terá sido Avatar? Lembro que vi A Noiva-Cadáver (metade das crianças saíram do cinema na metade do filme, chorando, aliás. ver caveiras cantando foi forte demais pra elas.), mas acho que teve algum outro depois. Ou alguns, sei lá. Enfim, deixa a minha memória pra lá. O fato é que ontem eu fui ver Toy Story 3. AH, LEMBREI! Foi Up. Porra, chorei oceanos em Up. 

Sim, Toy Story, voltando. 

Eu não lembro exatamente quando vi Toy Story (o primeiro, de 1995), mas certamente foi antes de 2000. E, uau, genial, computação gráfica e talz. Cool. Bom, eu não tava muito atenta para essas novas tecnologias revolucionárias na época, mas adoraaaava Toy Story. Woody ♥ (aliás, eu sempre AMEI a voz dublada do Woody). Acho que vi o segundo no cinema. E ontem lá estava eu, vendo o terceiro.

O primeiro fato a se notar quando eu vou ao cinema é que sempre acontece alguma coisa. Esqueço os óculos. Chego atrasada. Sessão lotou. Não tem Coca gelada. A fila dá cinco voltas no quarteirão. Quando eu fui ver Up, a primeira coisa que fiz foi derramar Coca na minha blusa. Eu sou genial. Obrigada. Ontem aconteceu um combo básico de esquecer os óculos + fila gigante + coca quente + setecentas milhões de crianças.

Vamos começar do começo. Sabe o que está passando no cinema atualmente, além de Toy Story? Exatamente. Eclipse. Se havia duzentas pessoas na fila, cento e cinquenta estavam lá para ver Eclipse. AINDA BEM que já passou um pouco da estréia e não tinha aquelas menininhas saltitantes com marquinha de mordida no pescoço. Respeito profundamente quem estava na fila pra ver Toy Story também. Enfim.

Passado o momento tenso de chegar até as salas, ainda tinha uma fila do tamanho do universo para entrar nas salas onde tava passando Eclipse, e outra fila do tamanho do universo pra comprar pipoca e refrigerante. A Americanas estava praticamente sem Ruffles e sem refrigerante gelado, acho que foi por isso que tanta gente foi comprar comida no cinema mesmo.  

Quando eu consegui chegar na sala de Toy Story, vi que havia uma proporção de cinco crianças para cada um adulto lá dentro. Crianças dos mais variados tipos e tamanhos. Tinha umas muito fofinhas, tinha um meninozinho que ficava chutando minha cadeira, tinha uma meninazinha que enfiava a cara do irmãozinho no espaço entre as cadeiras... Uns amores. 

Eu entrei na sala mais ou menos meia-hora antes de começar o filme, ainda bem. Porque lotou totalmente a uns cinco minutos de começar. Daí durante essa meia-hora eu fui testemunha de muito gritos, choros, pipoca jogada pelo ar, suspiro de pais arrependidos e coisas do tipo. Tudo muito amor. Até simpatizei com uma menininha sentada na fileira à minha frente, que sentava quietinha e conversava com a mãe direitinho.

Ah, e de todas crianças pequenas do universo que podiam ter sentado nas cadeiras na minha frente, nenhuma sentou. Quem sentou foi um cabeção. Mas tuuuuudo bem.

Isso tudo só pra chegar no filme em si.

Eu sou a pessoa mais chorona do universo assistindo filmes, então é claro que eu comecei a ficar com vontade de chorar nos primeiros cinco minutos. No fim do filme eu já estava chorando todos os oceanos da Terra e os oceanos perdidos de Marte, os pais das crianças também, e as crianças... bom, elas também estavam chorando.

Porque a pipoca caiu no chão.

Fiquei até terminarem os créditos, chorei mais alguns oceanos, e cabeças vão rolar se Toy Story 3 não ganhar uns Oscars no ano que vem. Saí do cinema até gostando dos pimpolhos.