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2012-01-26

Everything's fine until it's not II - ou um pouco mais a declarar

Ontem eu estava assistindo um filme quando me lembrei da "melhora da morte" - aquele momento em que uma pessoa muito doente, já desenganada, melhora subitamente sem nenhum motivo aparente. E então morre no dia seguinte. Pensei então em como eu estava me sentindo bem esses dias, subitamente renovada, como se finalmente as coisas estivessem no seu lugar, e em como seria irônico se isso fosse algum tipo de calmaria antes da tempestade - pra dizer o mínimo.

E isso, senhoras e senhores do júri, é um exemplo perfeito da minha auto-sabotagem.

Vou tentar considerar isso como só mais uma ~flutuação de humor~, e vamos vivendo. Não tem outro jeito de saber como as coisas vão ficar, afinal.

Everything's fine until it's not

I feel sick.


Nada mais a declarar.

2012-01-13

Beneath this mask there is an idea, Mr. Creedy, and ideas are bulletproof

mi.li.tan.te adj. e (s2g.) 1. Que(m) milita ou luta por uma causa, uma ideia, etc. 2. Que(m) participa ativamente das lutas de um partido, sindicato, etc.

a.ti.vis.mo sm. Atuação dedicada a serviço de uma doutrina ou ideal de cunho político-social.

Desculpem o meu ataque de Capitão Dicionário, mas é que eu precisava ilustrar. Eu tive receio dessas duas palavras (e variações delas) durante muito tempo. Passada essa fase do receio, veio outra: a de achar que eu não tinha o direito de me considerar parte do movimento porque não fazia muita coisa por ele. De mais ou menos um ano pra cá, eu entendi, e foi como quando eu entendi o que era ser escritor.

Ser escritor, pra mim, não é apenas uma profissão. Eu digo que sou escritora não porque trabalhe ou estude isso, mas sim porque é o que eu sou.  Não é uma questão do que você faz, e sim do que você é. E com o tempo aconteceu algo parecido com a ideia que eu fazia do ativismo. Não protestar na rua, não carregar cartazes, não ter muita visibilidade... Não é só isso que te faz ser militante de alguma coisa. Hoje em dia eu considero da seguinte forma: o ativismo começa a partir do momento em que você consegue olhar ao seu redor, perceber e questionar o mundo e, finalmente, quando começa a a tocar outras pessoas com essa percepção. Hoje eu entendo, e muitas vezes eu comentei aqui mesmo o quanto estava cansada e de quantas vezes eu me calei. E olha que, em certos aspectos, eu até que sou paciente. 

Mas hoje me aconteceu uma coisa. Eu e um amigo estávamos explicando pra um outro amigo o que é a transsexualidade. Começou do jeito que sempre começa: ele não entendia, não sabia os termos (e são muitos, e são pouco conhecidos), confundia os pronomes, etc. Nós continuamos. Em mais ou menos uma hora, nós já tínhamos falado tudo o que podíamos e sabíamos sobre o que era ser transsexual, ser transgender, sobre como isso não tinha a ver com a sexualidade em si, identidade de gênero e já estávamos chegando no feminismo. Explicar essa caralhada de conceitos geralmente é um questão de paciência e repetição, mas no final da conversa nosso amigo já tinha absorvido exatamente o que a gente tava querendo dizer.

A parte triste é que esse tipo de situação é rara. Na maioria das vezes, o primeiro contato das pessoas com esse assunto não é tão esclarecedor assim. Mas dessa vez foi, e serviu pra me dar mais um motivo pra continuar. Até algumas semanas atrás eu estava cansada e desmotivada com muita coisa, mas hoje não - principalmente depois da abertura do Minoria é a mãe. É que agora eu entendo, por mais doloroso e exaustivo que seja, como vale a pena. Ver o meu amigo começando a refletir antes de trocar os pronomes, entender porque pronome tal era o certo e não o outro, isso sim vale a pena, porque esse é o momento em que você toca o outro. Vamos ser clichês: se não me engano, foi Einstein que disse uma vez que a mente que se abre pra uma nova ideia nunca mais volta ao tamanho original. É bem esse o espírito.

Eu sei que as reações não são positivas assim sempre, é claro. Mas vale a pena, meu bem. Vale sim.

2012-01-05

Outubro, 1997

- Você me amou?

Ouvi a pergunta e continuei lavando as mãos normalmente, mas minha mente parou no meio do ato. Amor não era exatamente meu tópico de conversação preferido; pra falar a verdade, estava bem no topo da lista de assuntos que eu passei a vida toda evitando.

E agora isso.

Enxuguei as mãos e saí do banheiro. Ele ainda estava sentado ali, esperando a minha resposta. Tinha perguntado se eu amei, não se eu amo, e só esse detalhe me fez perceber, mais uma vez, que o tempo tinha passado. Eu não podia culpá-lo por talvez ainda me ver do jeito que eu era antes, porque eu também fazia isso. Só em alguns momentos – como esse – eu percebia que o tempo tinha passado pra ele também.

- Amei. Mas eu tenho certeza de que te disse isso na época.

- Mas talvez agora você ache que foi coisa de adolescente.

- E foi mesmo, mas isso não é de todo ruim, é? O amor aos dezesseis anos também tem lá a sua beleza.

- Não estou desmerecendo isso... Mas é que talvez você não tivesse certeza.

- Eu não tinha. Acho que essa é a graça das coisas de adolescente: a gente não tem certeza de nada, mas se entrega como se tivesse. Mas sabe o que eu nunca entendi?

- O quê?

- Como você me amou esse tempo todo. Não o porquê, que isso eu já desisti de entender e não importa tanto assim. Mas como? Às vezes eu penso até que não é possível, pra falar a verdade. Eu não sou exatamente o melhor tipo de pessoa pra se amar.

- Se você tivesse me dito isso há uns quinze anos, eu chamaria de drama. O problema é que é verdade, mas o que eu posso fazer? A gente se acostuma com tudo.

- Agora sim você tá falando direito. Toda aquela história de por que e talvez e se isso e aquilo outro não faz o seu tipo.

- Faz o seu.

- É, faz. Mas você anda estranho mesmo, perguntando coisas...

- É que às vezes eu canso, Will... Eu tento me colocar no seu lugar, juro que tento. Mas acho que cheguei numa hora em que não consigo ser mais nada além de egoísta.

Não pude evitar um sorriso.

- Se você soubesse como eu tenho vergonha de tudo que eu te fiz, que falei, que escrevi... E eu só queria isso, sabe? Esse tempo todo eu só não conseguia suportar essa... essa nobreza infeliz que você insiste em ter. Essa coisa de me querer feliz. Eu te provocava porque queria que você me desse uma rasteira, que entrasse na minha casa de noite gritando, que fizesse qualquer coisa. Mas não. Você é padrinho do meu filho, foi no meu casamento, respondeu minhas cartas, ficou no hospital quando eu tava internado. Você frequenta a porra da minha casa. Nós somos amigos. Me diz como foi que isso aconteceu? Porque eu fico olhando e não entendo, porque não faz sentido nenhum.

Ele não disse nada, é claro. Nunca dizia, porque sempre sabia que em pouco tempo eu ia me calar e me arrepender de tudo que falei. Mas eu não podia deixar de pensar que, talvez pela primeira vez em muitos anos, estávamos começando a sair do lugar.

2012-01-01

Just for the record

Pra falar a verdade, eu nem sei bem como definir 2011. Acho que ele está lá junto com 2005 e 2007 na lista de anos estranhos. E somos todos bem grandinhos pra saber que estranho que não é necessariamente uma coisa ruim. De janeiro até dezembro, não teve um mês em que não me acontecesse alguma coisa... nem sei definir que tipo de coisa. Só aconteceu. Como eu escrevi em algum post em algum momento, a vida começou a bater na minha porta. Quando eu atendi, ela não foi doce de imediato. Esse ano eu tive que entender que, pra muitas e muitas coisas, eu estou sozinha, completamente sozinha. Pra outras, nem tanto, contanto que eu não estrague tudo de novo. Esse ano eu chorei, sonhei, morri, nasci de novo, escrevi, li, assisti, fodi, mudei, cresci, trabalhei, dormi e, principalmente, amei. 

Eu gosto de fim de ano, e em janeiro costumo ter aquela esperança inofensiva de que as coisas vão mudar. Vou confessar que hoje, agora, eu não estou assim. Acho que fiquei meio desanimada de ontem pra hoje mesmo, e seria complicado de explicar aqui sem pelo menos uns outros tantos parágrafos enormes. Eu não estou fazendo sentido hoje.

Teve um momento em 2011, alguns meses, em que eu não conseguia mais pensar nos meus personagens. A realidade caiu na minha cabeça com tanta força que a única vida que eu conseguia ter na minha cabeça era a minha. Percebo hoje que eu não sei viver; quando as coisas estão ruins, eu pioro. Quanto estão boas, dou um jeitinho de estragar.

O fato é que, independentemente do tempo que eu ainda tenha (falei como uma moribunda agora, né. abstraiam.), eu só quero que seja doce. 

2011-12-18

Quando o fuck this shit não funciona mais

Eu comentei no começo desse ano o quanto todo o processo de socialização num ambiente novo me cansava. Eu sou o tipo de pessoa que funciona mais ou menos assim: na maior parte das vezes, me acostumo com uma situação e não sei lidar bem com mudanças nela. É o que chamamos de zona de conforto. Por outro lado, às vezes isso também me cansa e resolvo eu mesma fazer algumas revoluçõezinhas. E é o menos frequente. Nenhuma das duas coisas é realmente boa. Tenho essa teoria - baseada, obviamente, em mim mesma - de que quem é acostumado desde cedo a se impor muitos limites, quando exagera, exagera mesmo. Mas esse não é o ponto. O ponto é que, mais uma vez, estamos aqui às voltas com o velho caso da anti-socialidade, que até hoje não sei se tem hífen ou não e não vou pesquisar agora. 

O fato é que eu passei muito tempo me sentindo ridícula todos os dias, o tempo todo. Sendo assim, não é difícil acreditar se eu disser que uma das piores sensações do mundo pra mim é justamente essa que, ainda bem, eu já não tenho mais com tanta frequência. Mas muita coisa ficou e, sim, eu me cago de medo de errar até nas atividades mais simples. Quando você erra, as pessoas te notam, e em um momento ou outro você passa ridículo por isso. E, nessa tentativa automática de não passar ridículo, você acaba provocando isso mais ainda. É assim que a vida funciona, aparentemente. 

Eu acredito que é nisso que está baseado uma boa parte da minha aversão a novos contatos. E eu preciso escrever porque é assim que o meu pensamento se organiza; de outro modo a informação só vai ficar vagando na minha mente pra sempre sem encontrar destino nenhum.

Então vamos começar pelo começo: conhecer pessoas novas e interagir com elas parece ser uma coisa bastante natural, e eu imagino que deva ser mesmo, mas por mais que eu tente relaxar e simplesmente deixar acontecer, eu vou estar sempre pensando em um milhão de possibilidades ("e se eu falar x", "e se ele/a falar y", "acho que ele/a me odeia agora", ad infinitum). Mas acho que algumas das melhores experiências de "contato" que eu tive na vida foram as que eu fui pega completamente desprevenida, no estilo de pessoa aleatória sentando ao lado no banquinho e puxando conversa mesmo (curiosamente, no entanto, eu nunca mais falei com essas pessoas, nunca as vi de novo).

Quando eu digo que não gosto de interagir com pessoas que eu não conheço, muita gente pensa que é porque eu me sinto especial/acima dos outros (e ainda vamos chegar aí). E lá vou eu explicar que eu me sinto mal mesmo, que não sei o que fazer, o que falar, quando chegar, quando sair, pra onde olhar. Mas de tempos em tempos eu me forço a fazer isso, afinal já dizia algum filósofo aí (?) que o homem não é uma ilha, o homem é um ser social etc. Não é que eu passe o dia todo sentada num canto sem falar com absolutamente ninguém, mas eu simplesmente não engato conversa nenhuma com pessoas que eu não tenho muito contato, a não ser que elas venham fazer isso. 

Adotar o modo "foda-se essa merda, não quero socializar" funciona por um tempo, mas sempre tem os períodos de abertura. Nesses períodos eu viro o socially awkward penguin e provavelmente angario mais antipatias do que coleguinhas, mas né. A gente vai tentando.

Uma das coisas que eu gostaria de ser capaz de fazer, além de estudar astrofísica e tocar violão, é conseguir interagir sem muitos acidentes com as pessoas que eu acho interessantes - e, olha, até que são muitas. Tem gente que eu acho interessante, gente que eu acho legal, gente que eu até mesmo gosto bastante, mas que se sentar do meu lado e disser oi eu vou só responder e fazer algum equivalente de falar sobre o tempo. Entra aí o fato de que eu tenho medo, é claro. De ser simplesmente chata, de a pessoa me decepcionar loucamente, de acontecer algum desastre social, de falar besteira. E continuo na minha zona de conforto. Ninguém entra, ninguém sai.  

Não cheguei a conclusão nenhuma, mas enfim. 

E ando escrevendo muito sobre mim, já tá na hora de escrever algo decente.

Quero férias.

2011-12-10

Sobre estrelas e tudo o mais

Estava eu aqui pensando sobre as estrelas - e o universo em geral - mais uma vez.

Ontem assisti 2001: Uma odisséia no espaço. Bem, na verdade comecei a assistir ontem e terminei hoje, porque dormi solenemente na metade. Desculpa, Kubrick, mas é um filme contemplativo (!) demais pra eu conseguir absorver numa madrugada de sexta. 

Mas não posso negar que é bonito. E, tendo um momento Mônica e Godard aqui, eu imagino uma pessoa assistindo esse filme no cinema em 1968 e fico com invejinha. As posições da câmera são incríveis, os efeitos idem se você considerar a época, inclusive a quantidade massiva de LSD que o Kubrick parece ter usado pra fazer certas cenas. E imagino que, assim como os primeiros Star Wars, as naves fossem maquetes. E eu acho a coisa mais linda usar maquetes como efeito especial em sci-fi, mas acho que ninguém mais faz isso.

Mas voltando ao que eu ia falar.

Eu estava vendo as cenas das naves e os planetas no espaço e pensando em como seria poder ver isso, assim, de perto. Estar numa nave, ver um planeta se aproximando, ou até mesmo, em condições extremamente controladas, ficar flutuando no espaço. Já ouvi falar de astronautas que enlouqueceram justamente por causa disso, por ver a imensidão do espaço, mas não posso deixar de pensar que deve ser uma das coisas mais incríveis que uma pessoa poderia fazer. Um dia, talvez, daqui a algumas centenas de anos a humanidade já tenha se espalhado por aí e uma viagenzinha espacial seja apenas banal e não restrita a alguns poucos selecionados da NASA e outras instituições que não sei o nome. Enquanto isso não acontece, permanece o deslumbramento. Talvez fosse assim que se sentiam as primeiras pessoas que viajaram de avião, guardadas as devidas proporções.


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Gosto de olhar pro céu e saber que aqueles pontinhos brilhantes são imensos e estão absurdamente longe de nós. Que podem já estar mortos, e a luz ainda não terminou de chegar aqui. 


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Ontem me disseram que dia desses descobriram um buraco negro maior que o Sol e que tem estrelas orbitando ele. Imagino que seja uma espécie de função inversa do sistema solar.


.x. 


Uma das primeiras histórias sobre extraterrestres foi escrita em 1609, por Johannes Kepler. No caso, eram habitantes da Lua. 


.x.


Há mais ou menos um mês achei que já era hora de começar a escrever ficção científica. Vamos ver no que vai dar.