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2013-01-18

Accurate


More comfortable in an urban environment than the suburbs, an individual with a Gemini Moon has a need to do everything that they want to do for themselves before actually settling down into any kind of family lifestyle. They may also be master manipulators, especially in relationships, and frequently seem to get what they want out of any given situation.

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The Aquarius positioning of Saturn is often a troubling one. Progress may be blocked in this placement. Those born under this positioning often engage in self-sabotage through addiction or procrastination.

Despite the proclivity to impede one's own actions, this enigmatic position often indicates success in a humanitarian profession. The Saturn in Aquarius placement often requires a cause larger than the individual as a motivating factor in life. 

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Leos have strong opinions on topics that are important to them -- and they like to be unchallenged when speaking about their beliefs. Leos may sometimes withdraw into themselves if their desire for superiority is contested. In some cases, this desire to be "unchallenged" may be seen as arrogance or self-centeredness -- but it is more likely a deep rooted passion about particular issues that lie close to the heart.

2013-01-12

Pra começar bem o ano

- Sabe de uma coisa? Isso é um tanto egoísta da minha parte, mas eu estou feliz porque não vou ter que ver você morrer. Eu não aguentaria estar no lugar que você está agora - ele disse, enquanto fechava os olhos e sua mão se desprendia lentamente do aperto da mão do outro, que morreria poucos meses depois sem dizer nada além de "Ele não está mais aqui".

2012-12-27

And nobody felt sad as long as we could postpone tomorrow with more nostalgia

É no mínimo interessante perceber como dá pra medir a vida através da literatura. Do que você escreve e do que você lê. Do que você coloca e do que você tira disso. Da ficção em geral. Percebi um relance do que era, talvez, ser adulto quando percebi que minha relação com personagens adolescentes tinha mudado. Não que haja um bloco determinado de tempo com linhas bem definidas pelas quais você passa para ser considerado adulto; é só aquela sensação, agora já não mais tão estranha, de que há uma parte da vida à qual você não pertence mais. E que a vida já é grande o bastante para você conseguir olhar pra trás e ver as pessoas que você foi antes de chegar até aqui.

Esse talvez seja o primeiro momento da minha vida em que consigo enxergar essas coisas mais claramente. Talvez esse tenha sido o meu 2012, afinal; um ano de lucidez, e por isso a minha bio aí do lado agora faz tanto sentido. As coisas não melhoraram, e não digo isso pra fazer parecer que nada presta nessa vida, mas sim porque o que importa é que o modo como lido com elas mudou. Hoje eu posso dizer que conheço muito mais de mim do que conhecia antes; é engraçado perceber como também precisamos nos conhecer, assim como conhecemos outras pessoas. Nada vem sozinho. 

Outro dia um amigo me falou uma coisa que ficou na minha cabeça. Estávamos falando sobre um livro e ele disse que tudo que existia na vida dos personagens era passado. Eles olhavam pra trás e viam o passado. Olhavam pra frente e o passado continuava lá. Algo assim. E eu fiquei pensando: então é isso. Durante muito e muito tempo eu odiei o passado, mesmo quando ele fosse bom, porque odiava a pessoa que eu era no momento. E justamente por não suportar, eu não conseguia ver outra coisa. Eu olhava pra trás e tinha passado; olhava pra frente e ele continuava lá. Hoje eu consigo ver essas pessoas que eu odiava tanto e perceber que não sou mais nenhuma delas; embora tenha sido. O que eu sou agora, talvez seja melhor ou pior, mas ainda não tenho como saber. O que eu sei é que posso lidar com isso, e isso é tudo que importa. 

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?) 
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim. 
Semiergo-me enérgico, convencido, humano, (...) 

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?). 
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica. 
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.) 
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me. 
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo 
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

2012-12-13

Uma verdade incoveniente

Eu passei muito tempo - provavelmente os últimos cinco ou seis anos - apressando algumas coisas e retardando outras na vida. O motivo é que eu tinha certeza que não estaria vivx a essa altura. Eu sei, soa meio ridículo falando assim, mas eu realmente tive essa certeza que me apavorava e não me deixava dormir por um bom tempo. É como viver com um prazo de validade - meio vago, mas ainda assim um prazo. Nunca pensei no que iria fazer a essa altura da vida, porque achei que não estaria mais aqui.

Só que, guess what, eu não morri. Ainda.

Isso me deixou numa posição meio esquisita. Veja bem, ninguém sabe se vai morrer amanhã ou daqui a cinquenta anos - a diferença é que antes eu tinha absoluta certeza de que a possibilidade dos cinquenta anos a mais não existia pra mim. Agora que existe como uma possibilidade, não sei o que fazer com ela. Não sei lidar com a  perspectiva de viver, how sad is that?

Não é que eu tenha me ~curado~ por completo, mas é como quando te dizem que o mundo vai acabar no ano tal e ele não acaba; você continua com medo que ele acabe, mas agora que passou a data que te deram, não está mais tão encanado com isso (supondo, a princípio, que você seja uma pessoa que se preocupa com o fim do mundo -q).

Mas essa não é a pior parte. A pior parte é que tudo aquilo para o qual eu caguei, tudo aquilo que reprimi ou simplesmente adiei pelo fato de que em breve não mais precisaria me preocupar (porque já teria virado um punhado de cinzas. não me enterrem pfvr) estourou com a intensidade mil sóis. Todas essas coisas resolveram fazer um motim e dançar por aí com plaquinhas de "quis ignorar? pois agora te fode aí".

Daora a vida.


2012-11-12

mimimi acadêmico - parte n


Quando estou sem nada pra fazer - ou, melhor dizendo, quando estou procrastinando coisas que deveria estar fazendo - gosto de ficar olhando grades curriculares de cursos que eu faria. É divertido. Só que quando estou assim, no final do semestre, eu tenho que ir olhar a grade curricular do meu curso mesmo, pra ver se não desisto. Parece uma coisa pequena demais pra se fazer, e até é, mas ver os nomes das cadeiras e perceber que eu realmente tenho vontade de cursar boa parte delas é uma das poucas coisas que ainda me dão vontade de continuar. É assim praticamente todo semestre. E aí o próximo começa e as coisas vão melhorando, sinto tudo renovado, até chegar no fim de novo. Então vou fazer um mimimi que provavelmente já foi repetido até a exaustão aqui, mas que vou fazer de novo e foda-se a sociedade.

Quando alguém me pergunta porque eu faço engenharia, uma das minhas respostas clássicas - e mais verdadeiras - é que estou fazendo porque fiz Informática antes. Só por isso mesmo. Só pra continuar o que eu já fazia. É um motivo meio bobo, mas guerras já foram iniciadas por coisas menores (eu acho). Acho uma paunocuzice sem tamanho ficar endeusando curso, mas engenharia de fato é um negocinho difícil. Quem endeusa curso gosta de dar a entender que só pessoas inenarravelmente inteligentes e esforçadas conseguem se dar bem e chegar até o final; mas o fato é que pessoas inenarravelmente inteligentes e/ou esforçadas realmente conseguem se dar bem, mas não se iluda, pequeno gafanhoto ávido por ares de superioridade. Sempre vai existir alguma pessoa, em qualquer curso, que está ali só por estar, que não vai ser eventualmente chutada pela ~seleção natural~ dos cursos difíceis (seja por sorte ou não) e que, quem sabe, vai até terminar o curso. Eu espero estar entre essas pessoas. Não dou a mínima pra ser a melhor pessoa na minha área e estou de boa com minhas notas, obrigado (elas não são ruins, seriously. bem, não todas).

Semana retrasada peguei um livro de equações diferenciais, um de algoritmos e um de arquitetura de computadores. O objetivo era estudar loucamente e, obviamente, passar. Fiz isso? Claro que não. O que essas três matérias têm em comum é que são as primeiras aulas da tarde - ou seja, eu sempre passo a aula toda dormindo profundamente e rabiscando no caderno o que deveriam ser anotações, mas que parecem mais aqueles testes psicológicos em que você tem que deixar o subconsciente ~escrever. Eu pego os livros, mas sei que só vou realmente ler ou resolver alguma coisa na véspera. Não sei porque ainda me surpreendo com isso. Não sei nem porque ainda acho isso digno de nota. Acho que preciso também me convencer de que, não importando qual faculdade eu fizesse, esse seria meu método de estudo. Bah.


2012-10-23

You know, they didn't even give us a chance


Christ, you know it ain't easy
You know how hard it can be
The way things are going
They're gonna crucify me



Eu estava assistindo Lennon Naked e pensando nos meus ídolos e até mesmo nos personagens com quem me identifico. Cheguei à conclusão de que é um bando de gente que se fodeu muito na vida (quem nunca, não é mesmo), mas também cheguei à outra conclusão interessante: mas que bando de gente escrota são essas pessoas que eu gosto tanto.

"Say, what're you doing in bed?"
I said, "we're only trying to get us some peace"
Vou citar John Lennon, Sirius Black, James Potter e Brian Kinney. Abstraiam o fato de que os três últimos são personagens fictícios (e dois de Harry Potter) porque, né, pra que se ater a esses detalhes? Biografias, filmes, livros e, no caso do Brian, uma série, me mostram que esses caras eram insuportáveis. Veja bem, eles não apenas eram arrogantes, ou tinham opiniões controversas, ou eram grossos; além disso tudo, eles fizeram coisas erradas, tipo ser escroto com a primeira esposa e com o filho (oi John), jogar os coleguinhas para lobisomens (oi Sirius), ser um bully (oi James) ou simplesmente ser escroto, porque o Brian meio que extrapola as definições de paunocuzice.

Meu coração pensa nessas coisas? Olha, até pensa. Mas eu como a biografia do John com farofa e choro quando lembro que ele morreu (sou dessas ok, lide com isso). Vejo o Aaron Johnson e o Christopher Eccleston reproduzindo o timbre da voz dele e o sotaque e derreto. Você não quer me ver assistindo meus bons dvds dos Beatles, trust me. Você não quer me ver assistindo  as entrevistas do John, porque olha. 

Sirius é outro com o qual atingi um nível assustador de identificação, em parte pelo que eu li e em parte pelo que imaginei em cima disso e transformei em headcanon. Com o James o sentimento é mais de nostalgia, de pensar que ele ainda poderia ter feito muita coisa, e não pôde.

Eu poderia dizer que gosto do Brian porque ele é bonito, porque ele derrete corações e incendeia cuecas, e seria verdade também (me deixa), mas o fato é que ele é o mais próximo que eu já vi um personagem chegar da escrotice autêntica; aquela que é apenas porque é, sabe? Ainda escrevo uma tese sobre o Brian, tô dizendo. Na verdade, um dos mais fortes motivos pra eu ter começado a reassistir Queer as Folk foi justamente pra poder fazer isso.

Não é que eu feche os olhos para as coisas ruins e finja que todo mundo é perfeito - eles não são. Talvez seja justamente por isso que eu goste tanto dessas pessoas. De algum modo elas me dizem que ser humano é tão maior que transcende aquilo que pensamos que nos faz gostar ou desgostar instantaneamente uns dos outros - e olha que alguns desses caras nem existem. 

Eu não sou uma pessoa fácil de se conviver; essa é uma característica que não dá pra notar (muito) na internet, mas às vezes nem eu me aguento. Fico imaginando como as pessoas que convivem comigo 24/7 conseguem essa proeza. Quando consigo perceber o quão intragável estou sendo, penso que isso meio que anula tudo de bom que possa fazer. Quantas pessoas ainda conseguem te amar quando são continuamente expostas ao seu pior, eu me pergunto. Acho que é isso que eu vejo nas pessoas, digamos, duvidosas com quem eu me identifico. 

Eu vejo uma chance.

2012-10-08

Billy Elliot e a porta do armário


Depois de ter feito uma prova horrível simplesmente por não ter estudado a tempo, outra que foi boa, mas poderia ter sido melhor se eu não tivesse esquecido de fazer a primeira questão (sério, quem simplesmente NÃO VÊ a primeira questão de uma prova?), ter câimbra nas duas pernas no meio da natação, descobrir que vou voltar a ter aulas com a professora maluca que tentou me reprovar injustamente no técnico (eu já contei essa história aqui?) e estar atolada de trabalho pra fazer, no sábado passado eu só queria fechar a semana confortavelmente sentada assistindo Billy Elliot e me entupindo de chocolate.

(Billy Elliot, pra quem não sabe, é um filme sobre um menino que quer fazer balé, mas o pai não quer que ele faça porque isso é ~coisa de mulher~ etc etc)

Eu estava indo muito bem nesse meu objetivo, até minha mãe passar por ali e me ver morrendo de chorar. Ela então pergunta o que estava acontecendo no filme, e eu expliquei que [spoiler] o pai e o irmão do Billy estavam chorando porque o pai estava furando a greve dos mineiros pra juntar dinheiro pra viagem até o lugar onde vai haver uma audição pra uma escola de balé [/spoiler]. E então ela pergunta se o pai do Billy aceita que ele dance balé, se ele não acha que o menino é gay e etc. Eu, sem vontade nenhuma de começar esse tipo de conversa, pausei o filme, respirei e disse que dançar balé não significa necessariamente ser gay; e que, se ele fosse, também não haveria problema nenhum.

É claro que a coisa não terminou aí. Jamais lembrarei de todos os detalhes da conversa (que se estendeu durante um bom tempo, com o filme eternamente pausado), mas sei que ela foi passando pelos temas mais variados, desde piercings até traição (?). E, no final, aconteceu uma coisa curiosa. Quando voltou-se ao assunto da homossexualidade (sei lá como, depois dessa volta toda), minha mãe repetiu algumas vezes, com a maior cara de minha filha eu sei que você é sapatão, que se tivesse um filho gay não ia desprezar, mas também não ia gostar nunca. 

Eu só queria mesmo ver o filme, chorar saudavelmente pela tristeza alheia e comer chocolate, mas não tá fácil pra ninguém. Já em pleno desespero, minha mãe perguntou se eu tinha algum problema.

Confusa, eu respondi que tinha sim, afinal todo mundo tem algum problema na vida.

Ela repetiu a pergunta, mais enfática. "Você tem algum problema? Você defende tanto os gays que dá pra ficar preocupada que você também tenha algum problema."

Não sei quanto tempo fiquei olhando pra ela; provavelmente alguns segundos. Entendi que "problema" significava ser lésbica (o conceito de bissexualidade mandou um beijo e disse que tá aí pra qualquer coisa). Pensei, muito rapidamente, que aquele era o momento, e que eu deveria contar. Seria melhor assim. Só que aí eu não contei.

Senhoras e senhores do júri, eu ri.

Ri porque o meu controle emocional já tinha ido pro buraco faz tempo e porque cheguei à conclusão relâmpago de que, cara, não. Apenas não. Até mais ou menos o ano passado eu tentava me convencer de que não contaria tão cedo porque ninguém tinha nada a ver com quem eu fico ou deixo de ficar e, de brinde, ainda evitaria problemas maiores. Depois percebi que ~sair do armário~ já não era tanto uma questão de "contar que também gosto de meninas", mas era quase uma... a expressão vai ficar meio fora de lugar, mas considerem como uma aproximação: quase uma posição política, por assim dizer. Quando perguntada (milhões de vezes) por que eu defendia tanto essas pessoas, minha resposta invariável e meio vaga era dizer que é porque isso faz parte do eu acredito. Mas é difícil, terrivelmente difícil, arranjar sempre um subterfúgio pra não dizer que é também parte do que eu sou, que eu também estou entre essas pessoas e que tudo que faz mal a elas também faz a mim.

Não acho que exista alguma pessoa no mundo que não teria percebido no meu rosto a resposta óbvia à pergunta mais recente da minha mãe. Mas dei a volta e fiquei com as respostas dúbias de novo. Eu não sei se ela entendeu, e ela não sabe se eu falei. Eu queria ter dito, mas acabei voltando a pensar mais ou menos como antigamente. Mas o fato é que ela perguntou se eu tinha um problema, e isso matou qualquer chance de me convencer a falar qualquer coisa.

Porque não, cara. Problema eu não tenho.