Como era de se esperar, só no penúltimo dia de férias (ou seja, dia 29 do mês passado) eu tomei vergonha na cara e fiz alguma coisa de útil. Mas não vou achar ruim porque foi somente a melhor coisa que eu poderia ter feito. Acontece que, na madrugada do dia 28 pro dia 29, achei que seria uma boa ideia escrever. Eu não tinha escrito muito esse ano, esses meses. Eu sabia o que dizer, mas não como - só que já faz um tempo que eu não me estresso muito com isso, porque sei que eventualmente as coisas acabam voltando pro seu devido lugar. Mas enfim. Dessa madrugada pra cá, tenho escrito tanto que de repente entendo ser possível uma pessoa se sentar e escrever um livro em dois meses. Ok, estou exagerando, mas nunca na história desse país eu escrevi tanto e finalmente de um jeito que eu consigo olhar e pensar: poxa, era isso mesmo que eu queria dizer. De repente até mesmo o que antes era falha na ~linearidade de conserta sozinho, de repente simplesmente o negócio começa a fluir direito. Não sei quanto tempo dura, ou se vou ter foco o suficiente pra terminar, mas que é lindo e mágico, isso é.
2012-05-08
2012-04-20
Não quero gastar título legal em post chato
Então o blogger finalmente mudou de aparência e eu estou aqui com medo de ir ver se ainda tem a opção de editar o html. Da última vez que eu olhei ela simplesmente não existia mais, mas vai que mudaram do beta pra cá. Mas, apesar de não gostar dos layouts do google em geral, eu gostei desse editor novo, ele é simpático.
Eu ia escrever que não tem nada de emocionante acontecendo na minha vida agora, mas isso seria uma mentira, porque hoje de manhã, ao tirar a escova de dente da boca ela voltou vermelha, e eu, perspicaz como sou, notei que não era close-up, era sangue mesmo. Cuspi mais alguns litros de sangue e até agora eu não sei exatamente o que aconteceu, mas as opções são: a) arranquei um pedaço da minha gengiva acidentalmente ou b) um pedaço do aparelho entrou na minha gengiva.
Além desse episódio sanguinolento, a vida vai seguindo com a minha vontade de escrever alguma coisa que preste, que de vontade não passa, a vaga noção de que os fatídicos vinte anos estão chegando, o eterno ciclo deprimente da minha vida amorosa fadada ao fracasso, nenhuma empolgação com o próximo semestre porque vai ter Arquitetura de Computadores e eu odeio isso, uma dúvida muita profunda referente à disposição das matérias nos meus cadernos, a vontade de pintar prontamente reprimida pelo preço das telas e tintas, a espera da oportunidade de ir na Saraiva comprar a biografia do Caio, entre outras coisas. Ah, estou deixando o meu cabelo crescer e não pintei esse mês, mas não tenho mais certeza se isso foi uma boa ideia. Como ele estava com o "corte de cabelo curto" e simplesmente foi crescendo assim mesmo, amanhã talvez eu vá lá na cabeleireira (sério que tem esse i entre o le e o re? morria sem saber) fazer o tal do "corte de cabelo comprido", e não sei se poderei refrear a vontade de dizer "tira mais dois palmos". Veremos, veremos.
2012-04-10
I've read the news today, oh boy
"You know, when I'm...when I'm at home I'm absolutely fine."
"Fine?"
"Yeah. Completely. I don't... I don't care and I don't even think about it. I just... I'm not embarrassed, I'm not... I'm not ashamed, and I don't... I don't want to be straight. You know, not now anyway. I'm happy. I'm happy being gay."
"But?"
"It's when I go outside, like, you know, just to Jamie's or... or to Tesco's or to work. It... It kind of... It's hard to explain, but it... it kind of feels like I've got indigestion. It actually feels exactly like indigestion. And... it just makes me angry, you know, that I feel like that because... because it's so fucking pathetic. You know, I'm a grown man, and I look at you, and... and I see you and you can do it and you're amazing."
(Weekend)
2012-04-08
biografia de um dia só
levanto. me dou conta de que é o último dia do feriado. tento lembrar do meu sonho, sem sucesso. ovo, chocolate, macarronada, sardinha. a meta de terminar de ler a biografia do john lennon até terça-feira a apenas duzentas páginas do final. uma vaga noção de que serei reprovada em pelo menos uma cadeira; e que quando eu digo isso, a resposta costuma ser mas é claro que você passa rs. não, não passo, get over it. uma checada no fórum. muitas páginas pra ler. o desejo sincero de não ter que ver o meu chefe amanhã. será que vai chover? não tenho o que fazer no cefet amanhã. não terminei de escrever a carta; mais uma coisa pra terminar até terça. a jornada de gênero vai começar. não terminei de gravar os dvds. quem está com o dvd onde eu gravei donnie darko? a sensação insistente de que não, isso também não vai dar certo, esqueça. abrir o google docs e não escrever. abrir o word e não escrever. a pergunta você é uma pessoa exigente demais nos seus relacionamentos? repousando na inbox do formspring há duas semanas. a nota de cálculo saiu, passei. um filme visto pela metade e a esperança de terminar ainda hoje. planos de estudar física de madrugada. planos de fazer qualquer coisa de madrugada, exceto dormir. de repente dormir parece uma perda de tempo. tanta coisa pra fazer, tanta coisa pra ler, tanta coisa pra entender e eu aqui dormindo. penso mais um pouco sobre o amor e decido que não é hora, neste momento eu deveria estar passando em lógica matemática. lembro então que preciso ir no cefet sim, só pra ir na biblioteca. ver pessoas discutindo sem saber que estão concordando uma com a outra. perceber que nenhuma das minhas expectativas tem possibilidade de ser atendida. ficar triste por um momento, muito breve - afinal, você já sabia mesmo, não se faça de desentendida -, porque nunca estarei em metade dos países que gostaria de visitar. ficar triste, por um momento, dessa vez já não tão breve, pelo pequeno apartamento que nunca irei decorar. vejo um gato bebê entrando no jardim pra beber água; vou dizer oi, ele foge. lamento os cigarros perdidos. o céu tá se formando, daqui pra amanhã chove. descubro que cheiro ruim na cozinha é uma fruta podre. penso por um momento se eu tenho capacidade de escrever poesia, desisto alguns segundos depois. abrir o caderno e não escrever. decidir por um momento escrever sem pontuação alguma, desistir um pouco depois. ser incapaz de definir um final pra um post de blog.
2012-03-25
Epic fail
Estou querendo ver um filme, ler um livro, ou talvez até escrever um (embora esta última seja, erm, um pouquinho mais difícil que as outras duas opções). Estou querendo fazer qualquer coisa que desligue a minha cabeça por algumas horas da minha própria existência, da minha própria vida e dos meus próprios pensamentos. Quero ser um personagem, só por um pouquinho de tempo. Se não for possível, eu posso ir estudar Cálculo, que tá valendo também.
O que acontece é que tem esses dias - ou, melhor dizendo, enormes períodos de tempo, que eu esqueço quando começaram e não consigo antever um final - em que eu sinto que estou falhando em todas as áreas da vida, assim, simultaneamente. Não é uma sensação legal, porque na maioria dos casos eu poderia ter feito diferente, poderia ter feito dar certo ou simplesmente acontecer, e apenas não fiz. Tenho a impressão de que as épocas em que eu mais leio correspondem justamente a esses períodos - preciso de um escape.
Mas acho que agora, neste exato momento, tá sendo mais negócio ir estudar Cálculo mesmo.
2012-03-22
Todos os versos são sempre escritos no dia seguinte
“...te procuro em outros corpos, juro que um dia eu encontro.”
Ontem eu sonhei com aquele amigo nosso, você sabe. No meu sonho, ele era loucamente apaixonado por mim, e me contava isso. A gente se dava as mãos e corria, corria, fugindo sabe-se lá de que para ficar sozinhos. Eu sonho com muita gente, você sabe, já sonhei contigo também. Acho que já sonhei com todos os meus conhecidos; pra cada um deles, uma história de amor, e eu gosto de sonhar assim porque gosto de me apaixonar. Mas, sabe, esse negócio de amor tem me tirado o sono, no pun intended. É amor pra lá, é amor pra cá, é amor o tempo todo; será que não cansa? Tudo é sobre amor nessa vida. Eu ligo a televisão e tem história de amor, vou ler um livro e tem história de amor, vou ouvir uma música e é sobre amor... Veja você que não é que eu não goste de ouvir falar de amor; eu até que gosto, mas eu vejo e leio e ouço essas coisas e não sei de onde é que elas vêm. Mas eu queria saber. Queria amar desse jeito que eles falam que existe, desse jeito que ensinaram a gente. Porque quando eu sonho, eu amo assim. Olha que engraçado, eu li em algum lugar que, por mais que pareça ser mais, a gente nunca passa mais do que cinco minutos sonhando. Não sei se é verdade, mas vá, é bonito: todo sonho dura só cinco minutos, e nesses cinco minutos eu já vivi um monte de histórias de amor. E todas elas foram a primeira vez. Só que o problema é que eu acordo, e quando eu acordo o amor já não existe mais. Será que você consegue entender? Eu queria um amor assim, desses que você precisa ouvir a voz da pessoa todo dia, desses que você precisa saber se ela tá bem, desses que a sua vida se enrola na dela de um jeito que as duas viram uma só. Tô aceitando um amor simples, tô aceitando um amor épico – How can I live without my life? How can I live without my soul? Te juro que tô surpreso por essa citação não ter dado o ar da sua graça nos meus sonhos ainda -, tô aceitando amor. Tô aceitando alguém que me ensine. Às vezes eu acho que vocês, que aparecem nos meus sonhos, são sempre a mesma pessoa. Espera, eu te explico. É sempre uma pessoa diferente, mas é sempre o mesmo conceito. Eu me apaixono é pela ideia de me apaixonar, sabe como é? Meio bonito, mas meio triste. Eu sempre tenho dificuldade em decidir se alguma coisa é bonita ou triste, sempre quero ficar com os dois. Eu fico pensando... Será que um dia eu vou amar? Amar assim, desse jeito que eu falei. E aí um dia eu vou virar pra pessoa e dizer “porra, era isso mesmo, eu sonhei com esse amor”, e ela vai achar bonito, sem saber que eu tava só sendo literal mesmo. Mas às vezes eu não acho ruim, sabe. Eu tô aqui falando e falando e não sei nem te dizer quantas vezes eu falei a palavra “amor”, mas a verdade é que às vezes eu nem me preocupo tanto. Mas é que tem dias, assim, que nem esse, em que parece que it’s all about love. Daí eu penso, assim, comigo mesmo: vai fumar, vai trepar, vai aguar uma planta que isso passa. Se passar, tudo bem, no outro dia eu durmo e amo outra pessoa, e a vida continua. Se não passar, aí eu fico tagarelando assim contigo, me lamento pela não existência do amor na minha vida, no outro dia eu durmo e amo outra pessoa. Então é isso, acho que eu vou ali dormir, que isso passa. Mas fica aí o meu pedido, ficam aí os meus versos do dia seguinte que de versos não têm nada. Acho que nem tô pedindo muito; tanta gente pedindo coisa escrota por aí. Um dia, quem sabe, talvez, eu venha a amar, e aí eu te conto como foi.
2012-03-07
Dance like no one’s watching
…because they’re probably not
Eu não tenho nenhuma vontade específica de morar fora do país, nada do tipo que me faça desejar ardentemente, planejar e realizar. Mas, se tivesse oportunidade e dependendo dos motivos, provavelmente iria.
Tô dizendo isso porque, de vez em quando, me dá uma vontade enorme de ir pra algum lugar completamente diferente. Uso o exemplo de outro país porque é o mais longe que posso alcançar, mas se tivesse opções de planetas provavelmente eu estaria citando também. Um dia, talvez, se eu vier a cagar dinheiro, vou poder fazer isso.
O isso a que eu me refiro é, como eu disse, ir para algum lugar completamente diferente; mas não pra morar de vez, nem pela vontade de conhecer o lugar; é só pelo simples prazer do reset. De poder estar num lugar onde ninguém, absolutamente ninguém me conhece num raio de muitos e muitos quilômetros. Nenhum rosto conhecido na rua. Nenhum lugar onde eu já tenha estado. Nenhuma pessoa que não precise me perguntar o meu nome ao falar comigo. Um lugar onde eu ainda não tenha uma vida.
Eu estava pensando nisso outro dia; quando ninguém te conhece, de certa forma você também não se conhece. É uma fuga, é claro, não estamos falando de coisas nobres aqui. Então, a minha fuga só precisaria disso: passar algum tempo em algum lugar qualquer em que o único pré-requisito seja que lá ninguém me conheça. E então eu não precisaria ser ninguém, porque eu poderia ser qualquer um.
Falando assim parece até que, sei lá, eu sou a Angelina Jolie (mas quê) e preciso de um tempo longe dos holofotes. Mas o sentido todo é só esse mesmo: os lugares onde a gente fica guardam tanta coisa, que você pensa que o passado todo está neles. Não está, é claro; recorrendo a um clichê básico, o meu passado está comigo e não vai ser só indo de um lugar pro outro que ele vai ser simplesmente apagado. Mas eu acho que, de qualquer forma, vale a tentativa, nem que seja pelo ar fresco.
*
Esses dias eu tenho estado muito sozinha, no sentido "sem ninguém ao redor" mesmo. É uma coisa engraçada, porque eu gosto e desgosto de ficar assim. Pelo menos uma vez por semana sempre vem alguém na minha humilde salinha me dizer que, poxa, deve ser meio chato né, ficar trabalhando lá, sozinha, sem ninguém pra conversar. Que deve dar sono. Olha, sono dá mesmo, mas. Eu gosto de passar a manhã sozinha lá. Fazer minhas coisinhas, ler um pouco, esperar o tempo passar. Gosto de andar, se possível na sombra, e ir ouvindo minhas músicas no ônibus, que também sou filha da entidade de minha preferência.
Enfim, de modo geral eu não me incomodo de estar sozinha em algum lugar. Esses dias todos em que adotei o Plano de Emergência de Fim de Semestre - que consiste em não faltar mais aulas, um esforço quase hercúleo, diga-se de passagem q - eu praticamente não abri a boca. Não é de todo ruim; até porque não é como se não existisse mais ninguém no mundo com quem eu fale, é só que nossos horários são uma bagunça.
Então, nos momentos em que eu tô sozinha, simplesmente me deixo estar.
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